Santana, a capital da Zona Norte?

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Por – Eliabe Visa

Encontrei um rapaz com baixa visão que precisava de ajuda para chegar a uma galeria em Santana, onde encontraria a namorada, que também tem baixa visão.

No caminho, ele foi me apresentando o bairro como se fôssemos velhos amigos. Falou das lojas, contou que, no fundo da galeria, ficava o melhor churros de São Paulo e recomendou as massas deliciosas da Festa de Sant’Ana, a tradicional quermesse da igreja do bairro. Falava dos lugares com a intimidade de quem conhece cada canto e faz questão de compartilhar suas descobertas.

A cena me fez lembrar de uma moça que conheci recentemente. Ela estava voltando da Europa, mas, ao falar sobre sua relação com São Paulo, foi categórica: quando volta ao Brasil, seu lugar é Santana.

Santana tem comércio movimentado, bares, restaurantes e uma localização que facilita a vida de quem circula pela Zona Norte. Mas o que faz alguém apresentar um bairro com tanto entusiasmo? Ou voltar de tão longe com a certeza de que é ali o seu lugar?

Talvez a resposta esteja nas relações que construímos com os lugares. Na comida que alguém recomenda, nos endereços que passam de boca em boca, nas pessoas que encontramos pelo caminho. Coisas aparentemente pequenas, mas que fazem um bairro deixar de ser apenas um ponto no mapa.

Santana tem argumentos para reivindicar o posto de capital da Zona Norte. Quem mora ali tem suas razões, quem visita pode descobrir as próprias. E há quem, mesmo depois de conhecer outros países, continue sabendo exatamente para onde quer voltar.

Se a Zona Norte fosse um país, Santana seria sua capital?

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