
Imagine uma mãe levando a filha de nove anos à unidade de saúde para conferir a carteira de vacinação. Durante o atendimento, a profissional informa que chegou a hora da vacina contra o HPV. A mãe hesita: “Mas ela ainda é uma criança. Precisa mesmo tomar agora?”
Essa dúvida merece uma conversa acolhedora. A vacina é oferecida nessa idade justamente para proteger antes do contato com o vírus, quando o organismo também responde muito bem à vacinação. É um cuidado que começa na infância e ajuda a proteger a saúde no futuro.
O HPV é um vírus comum. Alguns de seus tipos podem provocar alterações no colo do útero que, ao longo dos anos, podem evoluir para um câncer. Mas essa história pode ter outro caminho: a vacinação e os exames preventivos, com tratamento das alterações encontradas, ajudam a impedir que a doença se desenvolva. O câncer do colo do útero pode ser prevenido.
Ainda assim, muitas famílias chegam à unidade de saúde assustadas com o que ouviram ou receberam pelo celular. Por isso, precisamos esclarecer: a vacina contra o HPV é segura, não causa infertilidade e não estimula o início da vida sexual. As reações mais comuns são leves e passageiras, como dor no local da aplicação. Eventos graves são muito raros. Perguntar e esclarecer dúvidas com a equipe de saúde faz parte do cuidado.
No SUS, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem a vacina em dose única. Sim, os meninos também precisam ser vacinados, porque o HPV pode causar outros cânceres que atingem os homens. Para quem perdeu a oportunidade, há uma informação importante: jovens de 15 a 19 anos ainda não vacinados ou sem registro da vacinação podem procurar a rede pública até 31 de dezembro de 2026.
Agora, voltemos àquela mãe. Enquanto cuida da vacinação da filha, alguém pode lhe perguntar: “E o seu preventivo, está em dia?”

Essa pergunta também pode mudar uma história. Mesmo quem foi vacinada precisa realizar os exames recomendados. Eles podem encontrar alterações antes que se transformem em câncer, quando a mulher ainda não sente nada. A UBS é o lugar para saber qual exame fazer e quando repetir.
É nesse encontro entre a família e o serviço de saúde que a gestão ganha sentido. Uma vacina precisa estar disponível, mas a família também precisa saber por que tomá-la. Uma mulher precisa conseguir fazer seu exame, receber o resultado e, se houver alguma alteração, encontrar atendimento para continuar o cuidado.
Para isso, precisamos de unidades próximas da comunidade, parcerias com escolas, profissionais preparados para conversar e equipes que procurem quem ficou para trás. Cada etapa deve abrir a porta para a seguinte.
Aquela visita à unidade de saúde pode terminar com uma filha vacinada, uma mãe orientada e uma família mais confiante. É assim que a prevenção entra na vida das pessoas: com informação que se entende, oportunidade de acesso e cuidado que continua.
O câncer do colo do útero pode ser prevenido. Transformar esse conhecimento em proteção é uma responsabilidade compartilhada

