Insatisfação ou distorção da imagem corporal: você sabe a diferença?

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Por – Pryscila Souza

Já falamos aqui anteriormente sobre a pressão estética e sobre como corpos desnutridos estão sendo exaltados e associados à beleza, como se fossem um objetivo a ser alcançado. Eu diria que é difícil encontrar uma mulher que, atualmente, goste de todas as partes do próprio corpo e não queira modificar nada. Dito isso, é comum que as pessoas, principalmente as mulheres, recorram a diferentes ferramentas na tentativa de modificar ou transformar o corpo, seja por meio da alimentação, da atividade física, de medicamentos ou de procedimentos estéticos.

Mas o que faz com que a gente olhe para o próprio corpo e sinta que precisa mudar alguma coisa? Para entender isso, precisamos falar sobre imagem corporal. Ela corresponde à maneira como cada pessoa percebe e sente o próprio corpo, uma construção que acontece ao longo da vida, a partir das vivências, crenças, sentimentos e experiências. Também aprendemos, por meio das nossas relações e do ambiente em que vivemos, a atribuir significados ao corpo e a compreender o lugar que ele ocupa na sociedade.

A insatisfação corporal, por sua vez, está relacionada à avaliação negativa que fazemos do nosso corpo ou de determinadas características físicas. Essa percepção não surge isoladamente, ela também é influenciada pelos padrões de beleza, pelas comparações e pelas mensagens que recebemos ao longo da vida. Com isso, podemos passar a enxergar o próprio corpo como inadequado e acreditar que precisamos modificá-lo para nos aproximarmos de um padrão socialmente valorizado.

Sentir insatisfação com o corpo ou com alguma parte dele é uma experiência relativamente comum, mas isso não significa que devemos considerá-la algo inevitável ou banal. Afinal, os padrões estéticos mudam, mas a cobrança para alcançá-los permanece.

Em diferentes épocas, determinadas características físicas são exaltadas, enquanto outras são desvalorizadas. E, quando aprendemos a avaliar o nosso corpo constantemente a partir dessas referências, a insatisfação pode ganhar cada vez mais espaço. O sinal de alerta aparece quando a preocupação com a aparência se torna intensa, ocupa grande parte dos pensamentos, provoca sofrimento ou começa a interferir na alimentação, nas relações sociais e na rotina.

Mas a insatisfação corporal não é a mesma coisa que a distorção da imagem corporal. Esta envolve alterações na forma como a pessoa percebe o próprio corpo, podendo, por exemplo, enxergar determinadas partes como maiores ou diferentes do que são. É importante lembrar que a distorção da imagem corporal não se resume a se perceber maior do que realmente é, ela pode assumir diferentes formas e precisa ser compreendida dentro do contexto de cada pessoa.

Querer mudar o corpo e aparência, não é necessariamente, um problema. Sempre falo isso para as minhas pacientes, o ponto e a forma como busca-se essa mudança, que nem sempre é a mais adequada e pode, inclusive, colocar a saúde em risco. Por isso, quando você se olhar no espelho e perceber que não gosta de alguma coisa, experimente se perguntar: de onde vem essa insatisfação? É algo que realmente me incomoda ou estou me comparando com outras pessoas e tentando me adequar a um padrão?

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