Anna Pineda, a pequena bailarina que virou um mulherão

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Anna Clara Pineda, a pequena bailarina e modelo mirim, que virou um mulherão depois de tantas reviravoltas na vida. A paulistana, abriu para gente, sua vida profissional e pessoal, para nos mostrar que ter beleza não é sinônimo de vida fácil.

Seu início na modelagem foi logo após uma apresentação de ballet aos 7 anos. “Por ser muito desinibida, magrelinha, e me dar muito bem com os palcos, minha mãe achou uma ótima ideia me agenciar como modelo. O sonho partiu dela primeiro, e como toda criança, eu achava que tudo era diversão. Mas já no primeiro trabalho, eu soube que era isso que eu queria.”

Seu primeiro desfile foi para uma marca de pijamas. Segundo Anna, a sensação dessa estreia foi indescritível. “Eu lembro que fiquei super feliz, amei estar entre flashes, com muitas pessoas me olhando, como uma pequena estrelinha ali no meio de tanta gente.”

Desse primeiro trabalho em diante, ela foi recebendo cada vez mais contratos, por sua beleza, carisma e talento para desfilar e fotografar. Anna Clara tem um biotipo conhecido como Ectomorfo. As pessoas com essa genética, são naturalmente magras, com baixo percentual de gordura. Possuem metabolismo acelerado e têm dificuldade em ganhar peso, por conta da rápida queima de calorias. A estrutura óssea é estreita, cintura fina e uma caixa torácica estreita.

Anna e sua mãe
Anna e sua mãe

Conforme Anna foi crescendo, suas responsabilidades escolares também foram aumentando. Os pais da modelo apoiavam sua escolha, inclusive a mãe de Anna a acompanhava em todos os trabalhos e sentia o maior orgulho da filha, contudo, a cobrava para manter o equilíbrio com os estudos. Caso não tirasse notas boas, não a deixaria mais desfilar. “Todos os cachês que eu recebia eram para mim. Gastava em Barbie, cabelo, tudo que eu quisesse. Apesar de eu sempre ter sido grandona, eu era muito criançona. Brinquei de boneca até os meus 15 anos.”

A bela modelo, no início da adolescência, conta que passou por uma situação muito triste, por conta do seu trabalho. “Algumas mães de amigas não gostavam que eu frequentasse a casa delas, porque eu chamava atenção, mesmo sendo uma criança, me vestindo e me comportando como uma. Isso me marcou muito.”

No auge de sua carreira, aos 16 anos de idade, infelizmente, sua mãe veio a falecer, após a luta contra o câncer. Essa perda foi muito difícil para Anna Clara, e isso resultou na sua desistência da moda. Ela passou por uma fase depressiva, mudou o rumo profissional, e sentia o vazio da mudança. “Fiz muitas coisas depois que perdi minha mãe. Consegui terminar o colégio, trabalhei em banco, em escritório, em lojas, porém a rotina me incomodava. Eu sentia falta de cada hora estar em algum lugar, da dinâmica sabe?! Hoje fico pensando em quem poderia ter me tornado se tivesse continuado. Na época que parei, estava com agenda cheia de trabalhos, até propostas de viagens nacionais e internacionais.”

Muitas meninas da geração 80/90, tinham o sonho de ser modelo, até mesmo mães espelhavam esse sonho nas filhas. Mas não era tão fácil, exigia sorte e bons agentes, como Anna Clara teve. Todavia, nem tudo são flores. As modelos lidam com muitas partes chatas no dia a dia. “O assédio é corriqueiro. E algumas vezes foram tão sutis que eu só entendi depois de um bom tempo, porque eu era inocente. Inclusive, quando eu era menor, teria um trabalho noutra cidade, e não queriam que minha mãe me acompanhasse. Insistiram muito para ela autorizar que eu fosse sozinha. Na época, mesmo ela se dispondo a pagar todos os custos dela, não aceitaram e me tiraram da seleção. Depois de mais velha, era comum receber propostas para outras coisas além do trabalho, na maior parte eram através de bilhetes ou recado de terceiros. Em feiras era ainda pior, pois dependendo do uniforme que eu estivesse usando, muitos clientes nem respeitavam.”

Quando a musa se sentiu pronta para retornar para as passarelas, ela passou pela segunda estreia. Esse retorno foi muito difícil. “. A sensação foi como se eu fosse pular de paraquedas. Não me sentia pronta até o momento de precisar pisar na passarela. Estava com medo, insegura e sozinha. Não tinha mais meu porto seguro (mãe) do outro lado, me esperando para me assistir. Mas deu tudo certo.”

Não ter ninguém ao seu lado foi difícil. Sua mãe que decidia toda a burocracia por ela. “Havia propostas estranhas demais. Isso entre outras coisas, me fizeram repensar muito se eu realmente queria essa vida. Mas lá no fundo, estava aquela criança de 7 anos, que amava dançar e brincar nos palcos, que sempre soube que queria fazer aquilo para o resto da vida.”

A moda vem se afrouxando um pouco nos padrões de beleza. Cada vez mais vemos mulheres comuns representando grandes marcas e isso é uma conquista muito esperada. A busca pela perfeição ainda existe, claro, porém, parece ser mais uma busca por autoaceitação, além, claro, do julgamento social.

“Eu me acho muito linda, claro que eu mudaria coisas em mim, para mim mesma. A beleza é muito única de cada mulher e vai muito do ponto de vista. Por exemplo: eu não gostava do meu nariz, então fiz um piercing, assim ao invés de escondê-lo eu o mostrava! Até que quando eu cresci, fiz plástica para consertar um desvio de septo e fiquei mais feliz. Algumas pessoas nem notam a diferença.”
Além deste, a modelo passou por outros procedimentos estéticos, como prótese de silicone nos seios, lipoaspiração, lentes dentais. Tudo isso refletiu bastante na sua autoestima e satisfação com ela mesma. “Eu coloquei silicone, porque por ser muito magra, não tinha nada de seio, mas ficou bem natural, proporcional ao meu corpo.”

A modelo retornou para os trabalhos como modelo e influenciadora digital, fazendo algumas campanhas e eventos. Com a pandemia, a atuação está mais voltada para o marketing de influência, e a musa está adorando essa nova fase, mais madura e mais feliz.
“Me sinto realizada. Eu estudo (Engenharia Civil) e trabalho com o que eu gosto, tenho um filho de quatro patas, que é meu xodó. Tenho um namorado, uma família, amigos leais e unidos. Tenho fé, uma filosofia, um mantra para que todas as minhas vontades sejam realizadas e sou muito grata a tudo que tenho! Tenho muito o que viver, aprender e conquistar. Sou orgulhosa pela mulher que me tornei, não gosto de tudo que vivi, mas sei que foi essencial para ser o que sou hoje. Sou forte e completa!”

Para quem deseja seguir na carreira, Anna Clara deixa um recado. “Vai ser cansativo, corrido, vai escutar coisas ruins. Vão sempre exigir mais de você, ficar horas de pé, alguns lugares não vão te pagar. Vai acontecer de ganhar bem para trabalhar pouco, ou ganhar mal para trabalhar muito, nenhum dia é igual outro. Vai viajar muito, não ter rotina, mas se é seu sonho, vale a pena cada esforço seu! Foca no seu sonho e siga em frente. Busque o reconhecimento do seu trabalho, não se abata! Eu ainda luto por isso, me arrependo de ter desistido lá trás, mas acredito no meu potencial e tenho muito o que mostrar ainda.”

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