Audiência na Câmara de Osasco debate criação de Delegacia da Mulher 24 horas

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A Câmara Municipal de Osasco realizou, na noite de segunda-feira (27), uma audiência pública para discutir a necessidade de implantação de uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) com funcionamento 24 horas no município.

O encontro também abordou estratégias de enfrentamento à violência de gênero e reuniu representantes de movimentos sociais, advogados, especialistas e membros da Polícia Civil.

Demanda por atendimento 24 horas

A audiência foi promovida pela Comissão da Criança, do Adolescente, da Juventude e da Mulher e conduzida pelo vereador Héber do JuntOz.

Segundo o parlamentar, a ata da audiência será encaminhada à Secretaria de Segurança Pública do Estado, à Prefeitura de Osasco e a deputados estaduais, com o objetivo de cobrar medidas efetivas.

“Quando você chega com dados e registros, isso tem um peso gigantesco”, afirmou.

Dados preocupantes sobre violência

Durante o encontro, especialistas apresentaram números que reforçam a urgência da demanda.

A advogada Ana Facillia Meira dos Santos destacou que:

  • Osasco concentra 37% dos casos de violência doméstica da região
  • O pico ocorreu em 2023, com cerca de 2,5 mil registros

Segundo ela, há subnotificação, especialmente porque a DDM não funciona aos finais de semana e feriados — períodos em que os casos aumentam.

Cenário nacional e mobilização social

Representantes do Movimento Olga Benário também apresentaram dados sobre feminicídios no país.

De acordo com as informações:

  • O Brasil está entre os países com maiores índices de feminicídio
  • Em 2025, foram registrados cerca de 270 casos no estado de São Paulo
  • Mais de 1.500 casos foram registrados no país

Durante a audiência, foi entregue um abaixo-assinado com 1.598 assinaturas, solicitando a implantação da DDM 24 horas em Osasco.

Estrutura atual e desafios

O investigador-chefe da DDM de Osasco, André Pereira Aires, destacou os desafios da unidade.

Atualmente, a delegacia conta com:

  • 6 investigadores
  • 8 escrivães
  • 2 delegados

Apesar da estrutura, o atendimento ocorre apenas em horário comercial.

“Nossa luta é para que a mulher não seja vítima duas vezes”, afirmou.

Próximos passos

Ao final do encontro, moradores e representantes da sociedade civil apresentaram questionamentos sobre a viabilidade da ampliação do atendimento.

O Legislativo deve encaminhar oficialmente as reivindicações aos órgãos responsáveis, reforçando a cobrança por políticas públicas que garantam atendimento integral às vítimas.

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