Duas rodas, outro caminho

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Por – Eliabe Visa

Outro dia, esbarrei naquelas imagens que correm pelas redes sociais: um engarrafamento de bicicletas elétricas na ciclovia da Avenida Faria Lima.

O coração financeiro de São Paulo, conhecido pelo trânsito pesado e pela correria, encontrou um congestionamento diferente.

Como por lá tudo ganha proporções enormes, até as bicicletas motorizadas conseguiram parar.

A pressa encontrou seu próprio limite.

Mas a vida real costuma ser um convite para diminuir o ritmo.

Recentemente, entrei no modo pausa e fui respirar novos ares em terras capixabas.

Caminhando por Vitória e Vila Velha, inevitavelmente me peguei fazendo uma coisa que gosto: observar como as cidades funcionam.

Claro que aquelas cidades também têm trânsito.

Há dias de congestionamento, cruzamentos que pedem paciência e horários em que tudo parece andar mais devagar.

O que me chamou a atenção, porém, foi a quantidade de bicicletas elétricas circulando pelas ruas e ciclovias.

E elas circulam bem.

Homens e mulheres, jovens e pessoas de meia-idade, usando roupas sociais ou casuais, carregando mochilas, bolsas e pastas de trabalho.

Gente indo e voltando do trabalho sobre duas rodas.

E o formato das cidades ajuda.

A orla oferece longos trechos de circulação, com poucas interrupções.

A ponte que liga Vitória e Vila Velha também facilita a vida de quem mora em uma cidade e trabalha na outra.

Apesar da baixa velocidade, o deslocamento parece compensar.

É uma alternativa para quem quer fugir do trânsito dos carros e chegar ao trabalho sem ficar preso em um engarrafamento.

Devagar, mas andando.

Nas conversas com moradores locais, ouvi uma percepção interessante: o aumento das bicicletas elétricas parece ter ajudado a melhorar o trânsito da região.

Fiquei pensando nisso entre uma caminhada, uma rajada de vento e um gole de café.

Até onde as cidades praianas poderiam aproveitar melhor suas orlas para criar caminhos mais longos e seguros para bicicletas?

E quanto as grandes cidades poderiam aprender com isso?

Talvez não seja preciso resolver o problema inteiro de uma vez.

Talvez pequenos trechos conectados, em diferentes regiões da cidade, já pudessem ajudar a diminuir o trânsito local.

É claro que nenhuma dessas alternativas resolve sozinha a complexa mobilidade de uma cidade como São Paulo.

Mas e se olhássemos para a cidade por partes?

Será que pequenos caminhos, espalhados pelos bairros e conectados entre si, não poderiam trazer um pouco mais de fluidez para o trânsito?

Confesso que me diverti.

Curti a brisa, apreciei a paisagem e deixei os pensamentos correrem soltos.

No fim das contas, a viagem me lembrou de uma coisa simples: às vezes, para encontrar uma saída para os velhos problemas, é preciso experimentar outro caminho.

Duas rodas podem não resolver o trânsito de uma grande cidade.

Mas podem ajudar a mostrar que existem outros caminhos.

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