POR: MARA MONTEIRO

Ah! Minha fada madrinha, que ilusão!
Fiquei parada na varinha de condão
tornei-me rainha do lar, de forno e fogão
dediquei-me ao meu príncipe de coração
tornei-me sombra, instrumento de dominação.
Ah! Minha fada madrinha, que atoleiro
encarregaram-me de ser bela o tempo inteiro
encantar meu doce lar carcereiro
submeter-me prisioneira do meu parceiro
esconder lágrimas e enxugá-las no travesseiro.
Ah! Minha fada madrinha, que cilada!
Minha cabeça ficou atrofiada
os sonhos me tornaram alienada
minha liberdade está mutilada
minha nudez, na decência enclausurada.
Ah! Minha fada madrinha, que negativo!
Não poder engordar acho abusivo
não ser nada é tão destrutivo
sou procriadora do exército produtivo
mas minhas prendas são meu único cultivo.


Um manifesto feminista
Maravilhoso!
Sensacional!
Lindo.
Parabéns!
Você é show!
Belo arte de descrever a realidade da mulher.
Parabéns Mara Monteiro
Parabéns. Poema lindo e que nos representa como mulheres.
Delícia de rima… delícia de ler… apesar da cruel mensagem… haha