
Sempre que tenho a oportunidade, confesso: gosto do ritmo frenético e do caos que é São Paulo. Porque, por trás de tudo isso, também estão alguns dos melhores restaurantes, serviços que funcionam 24 horas e uma vida noturna capaz de causar inveja a qualquer grande capital do mundo.
Mas tudo isso tem um preço. Não é barato viver em São Paulo. E, se a ideia for conhecer a cidade de verdade, é melhor reservar a agenda por mais de um ano. Ainda assim, vai faltar lugar para visitar.
Encontrei um senhor que compartilhava esse mesmo encantamento urbano.
Era um sábado de manhã. O sol aparecia entre as nuvens, mas o céu tinha aquela velha cara de quem prometia chuva mais tarde. Um típico fim de semana de inverno paulistano.
O homem, de meia-idade, contou que havia se mudado, há pouco mais de um ano, da Vila Olímpia para o Morumbi. Da antiga vizinhança, guardava a lembrança da praticidade. Bastava descer do prédio para encontrar a pizzaria, a padaria, o café, tudo ali, ao alcance de uma caminhada.
No novo bairro, ganhou uma casa maior e mais tranquilidade. Em compensação, passou a depender do carro para fazer programas que antes resolvia a pé: encontrar os amigos, ir a um bar ou simplesmente sair para comer alguma coisa.
Durante a conversa, lembrou que já havia morado com a família no Canadá. Disse que lá as ruas eram silenciosas demais, quase vazias. Pouca gente caminhando, pouca vida acontecendo do lado de fora.
— Aqui tem pessoas — resumiu.
A frase ficou na minha cabeça.
Falamos sobre bares, restaurantes, bairros, ruas e lugares que um conhecia e o outro ainda queria descobrir. Percebi que, mais do que elogiar São Paulo, nós dois estávamos falando daquilo que faz uma cidade ser cidade: a presença das pessoas.
No fim da conversa, pensei na música de MC Criolo, quando canta que “não existe amor em SP”.
Talvez ele tenha razão em muitos momentos.
Mas existe, sim, amor por São Paulo.
E quando dois paulistanos — ou dois apaixonados pela cidade — se encontram para falar dela, a conversa deixa de ser apenas conversa. Vira uma declaração de amor.
Seja do Itaim ao Morumbi.
Ou do Jardim Ângela ao Grajaú.

