STJD do Voleibol rejeitou pedido da jogadora, enquanto o Tribunal de Justiça do Rio suspendeu a liminar que permitia sua participação; defesa afirma que vai recorrer
A jogadora Tifanny Abreu está novamente sem condição de jogo pelo Osasco Voleibol Clube nas competições organizadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Nesta sexta-feira (23), duas decisões desfavoráveis à atleta alteraram o cenário jurídico que havia permitido sua participação no início da Superliga Feminina 2026/27.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Voleibol julgou o Mandado de Garantia apresentado pela atleta e, por unanimidade, negou o pedido que buscava garantir sua elegibilidade nas competições da CBV.
No mesmo dia, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a decisão de primeira instância que havia autorizado Tifanny a defender o Osasco. Com isso, a liminar anterior deixou de produzir efeitos.
Tifanny fica fora de Mackenzie x Osasco
As decisões impedem a participação da jogadora no confronto deste sábado (24), quando o Osasco enfrenta o Mackenzie, às 16h, em Belo Horizonte, pela segunda rodada da Superliga Feminina.
A defesa de Tifanny, liderada pelo advogado Luis Fernando Novaes, informou que pretende pedir uma reavaliação ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e continuar discutindo o caso na Justiça comum.
O Osasco segue apoiando a atleta, e o departamento jurídico do clube acompanha o caso em conjunto com sua defesa.
Tribunal suspendeu liminar favorável à atleta
A decisão do Tribunal de Justiça do Rio considerou o artigo 217 da Constituição Federal, que prevê o esgotamento das instâncias da Justiça Desportiva antes da análise de questões relacionadas à disciplina e às competições esportivas pelo Poder Judiciário.
Tifanny havia conseguido anteriormente uma liminar que permitiu sua participação na Supercopa, contra o Praia Clube, e na estreia da Superliga, diante do Brasília Vôlei.
A medida, porém, era provisória. Com a suspensão da liminar e a decisão unânime da Justiça Desportiva nesta sexta-feira, a jogadora voltou a ficar impedida de atuar.
Caso envolve nova política de elegibilidade da CBV
A disputa começou após a CBV adotar uma nova política de elegibilidade para participação na categoria feminina. Pelas regras anunciadas pela entidade, as atletas devem apresentar teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino.
Tifanny, de 41 anos, é a primeira atleta transgênero a disputar a elite do vôlei feminino brasileiro e está em sua sexta temporada pelo Osasco. Ela disputa a Superliga desde 2017.
Em nota, a CBV informou que cumpriu a decisão judicial anterior enquanto esteve em vigor e afirmou que continuará seguindo as determinações tanto do Poder Judiciário quanto da Justiça Desportiva.
A entidade também declarou que sua política de elegibilidade é uma norma geral e reafirmou o compromisso com o respeito e a dignidade das atletas.
O caso ainda poderá ter novos desdobramentos, já que a defesa de Tifanny confirmou que recorrerá das decisões.

