O Dito pelo não Dito – O Arnesto nunca convidou ninguém

Alexandre Frassini Colunistas
Por – Alexandre Frassini

Uma palavra que dignifica um artista é eternizar. Não somos imortais, mas a nossa passagem por essa breve vida dá a certas pessoas o dom de se tornar eterno. E aqueles que aproveitam essa oportunidade nunca serão esquecidos. Na música brasileira, um paulistano nunca morreu. Hoje, o Dito pelo não Dito pega o Trem das Onze até a Saudosa Maloca do mestre do samba paulista, Adoniran Barbosa.

A genialidade de Adoniran Barbosa é um marco na história do samba paulista. Seu humor afiado, suas narrativas irreverentes e suas composições singelas deram voz a uma São Paulo que poucos conheciam. A Maloca, o espaço simples e cheio de vida, era o coração pulsante da cidade nos anos 30, assim como o centro hoje pulsa com suas contradições. ‘O Trem das Onze’, eleita a música mais paulista de todas, retrata exatamente essa travessia entre o sonho e a realidade, entre o compromisso e a liberdade.

E é nesse cenário, entre a saudade da Maloca e a modernidade das avenidas, que se insere o enredo do samba ‘O Samba do Arnesto’. Adoniran, com sua ironia, fez de Ernesto, ou Arnesto, um símbolo de uma São Paulo que sempre foi, e sempre será, um palco de histórias.

A história do ‘O Samba do Arnesto’
Adoniran nunca foi convidado por Arnesto para um samba, nem na Mooca nem no Brás, nem em lugar nenhum. Na realidade, o tal Arnesto era o simpatico Ernesto Paulelli, violonista que, na década de 30, teve sua música tocada na Rádio Bandeirantes e lá se encontrou com um Adoniran em início de carreira. Adoniran insistia em chamá-lo de Arnesto e não de Ernesto, e,em uma das correções, o sambista parou, pensou e disse: ‘Esse nome dá samba’. 20 anos mais tarde, o já casado Ernesto ouviu, no rádio, ao lado da esposa, a música que Adoniran prometera. Ele se emocionou e, ao mesmo tempo, ficou muito bravo, pois o que estava sendo cantado era uma mentira, e ele pretendia tirar satisfação com Adoniran. Mas, que nada… Viraram compadres. Ernesto morreu em 2014, aos 99 anos, mas será sempre o personagem lembrado pela obra imortal do gênio chamado Adoniran.

E nós só agradecemos, não é mesmo??

Até a próxima pessoal!!

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