Os favoritos da Copa

No início de uma Copa do Mundo, todos apontam os principais favoritos ao título. Neste ano não é diferente, mas vale uma observação, o futebol de seleções é muito mais equilibrado do que o futebol de clubes, falo principalmente das competições da Europa. A possibilidade de uma seleção média eliminar uma favorita é muito maior do que a chance de um time da segunda prateleira eliminar uma potência na Champions League. Na seleção, o jogador fica limitado ao país de origem, por isso nem sempre os melhores jogadores estão nas melhores seleções, no clube isso muda muito. Nesta primeira coluna, farei uma breve análise das principais seleções da Copa da Rússia.

Brasil: O time de Tite chega muito forte e realmente está entre os favoritos pelo desempenho, não por fatores como camisa e tradição. O Brasil é forte coletivamente e tem grandes individualidades, todos os setores estão bem estruturados. Neymar está em uma seleção melhor do que Messi e Cristiano Ronaldo, o craque do PSG é o grande diferencial, mas o time não é dependente do seu talento. Marcelo e Coutinho são outros com enorme capacidade para desequilibrar um jogo. A ausência de Daniel Alves enfraquece o lado direito.

Espanha: Considero a principal força da Europa e grande concorrente ao título ao lado do Brasil. O time melhorou muito com a troca de Del Bosque por Lopetegui, não perdeu a identidade e fez a renovação necessária, abrindo espaço para jogadores como Isco, Thiago e Asensio. A Espanha gosta de ter a bola e sabe o que fazer com ela e hoje parece também ter uma maior força física que faltou em outras ocasiões. Por jogar com muitos meias, a Espanha depende muito do apoio dos laterais para ter profundidade. Cavajal e Alba são peças fundamentais para o sistema. Diego Costa traz uma agressividade ao ataque que a Espanha não tinha. Agora com a saída de Lopetegui, a Espanha se torna uma incógnita.

Alemanha: A atual campeã é outra candidata ao título, mas chega abaixo de Brasil e Espanha. O elenco passou por uma reformulação e parece ter mais cara de 2022 do que 2018, mas de qualquer forma é competitiva e dura de ser batida. Mais uma vez deve chegar entre as primeiras colocadas, mas tenho dúvida se já está pronta para mais uma conquista. Da base de 2014, ficaram Neuer, Boateng, Hummels, Kroos, Khedira, Ozil e Muller. Merece respeito.

França: Talvez seja a seleção com o maior número de talentos individuais, mas falta um conjunto mais consolidado. O técnico Deschamps está abaixo do nível do time. Por ser uma Copa e não um campeonato de regularidade, a França pode chegar. Não tem como desprezar o time de Pogba, Mbappe e Griezmann. Em um bom dia é capaz de derrotar qualquer adversário.

Bélgica: Chega mais forte do que na Copa de 2014 e na Euro 2016. O elenco era muito jovem no Mundial do Brasil, hoje está maduro e com muitos atletas consolidados em grandes clubes europeus. A troca de técnico foi boa, Roberto Martinez é muito melhor do que Marc Wilmots. De Bruyne, Hazard e Lukaku são jogadores de primeiro nível na Europa.

Portugal: Time duro de ser batido e confiante com a conquista da Euro. Defesa forte e um atacante espetacular como Cristiano Ronaldo. Não acredito em título, mas pode dar trabalho para qualquer adversário.

Argentina: Depende de Messi. A Eliminatória foi caótica e não mostrou evolução nos amistosos. Messi é um gênio, mas não é justo cobrar dele que leve um time nas costas. O craque do Barcelona fará o possível, mas precisa ter um time que o acompanhe e parece não ter. Individualmente Di Maria, Aguero e Higuain podem decidir jogos, mas a defesa e o meio estão abaixo das principais forças.

Uruguai: Suárez e Cavani formam uma dupla de ataque fortíssima e o time se renovou. Tem um meio-campo mais técnico e móvel com Vecino, Torreira, Betancourt e Arrascaeta, é uma mudança de estilo, precisa de adaptação, mas pode dar muito certo.

Inglaterra: Time jovem e de boa qualidade. Não deve estar pronto para voos mais altos na Rússia, parece ser um time para o futuro. Se defende bem com uma linha de 5 e tem um atacante top como Kane. A perda de Chamberlain afeta a dinâmica do meio que pode ser compensada com Lingard. Dele Alli é muito talentoso, mas falta intensidade em alguns momentos.

O convidado especial Bruno Prado é comentarista da rádio Jovem Pan

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