Planejamento e dados são essenciais para enfrentar o envelhecimento populacional

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Palestra “EnvelheSer” apresentada no COSEMS-SP, em Santos, destaca o papel da gestão municipal na organização do cuidado

Por – Dra. Simone Neri

Estou participando do COSEMS-SP, realizado em Santos, um dos mais importantes encontros da saúde pública do estado. Este congresso reúne secretários municipais de saúde, gestores e profissionais para discutir os desafios reais do SUS e, principalmente, construir soluções coletivas que impactem diretamente a vida da população.

Mais do que um evento, o COSEMS-SP é um espaço estratégico de troca de experiências, atualização e fortalecimento das políticas públicas. Aqui, temas fundamentais como atenção primária, prevenção de doenças, envelhecimento saudável e equidade em saúde ganham protagonismo, reforçando a necessidade de uma gestão cada vez mais integrada e resolutiva.

Dentro desse contexto, tive a oportunidade de participar do módulo: “EnvelheSer: o planejamento na gestão municipal”, que trouxe um olhar urgente sobre o envelhecimento da população e seus impactos na organização dos serviços de saúde.

Hoje, o envelhecimento já é uma realidade concreta. Em São Paulo, cerca de 17% da população tem mais de 60 anos, com crescimento acelerado e marcado por profundas desigualdades sociais, regionais, de gênero e raça. Esse cenário exige dos gestores uma mudança de perspectiva: o envelhecimento não é homogêneo e precisa ser compreendido a partir das vulnerabilidades de cada território.

A epidemiologia e a vigilância em saúde assumem, nesse processo, um papel central. São ferramentas que transformam dados em decisões, permitindo identificar prioridades, antecipar riscos, organizar serviços e qualificar o cuidado, especialmente diante do aumento das doenças crônicas, das síndromes geriátricas, dos transtornos de saúde mental e das situações de fragilidade.

Também fica evidente que os desafios vão além da saúde. Questões como pobreza, mudanças climáticas, isolamento social e violência impactam diretamente a qualidade de vida da pessoa idosa. Por isso, o cuidado precisa ser integrado e intersetorial.

O planejamento municipal deve se apoiar em indicadores concretos — como controle de doenças crônicas, cobertura vacinal, internações evitáveis e dados de mortalidade — utilizando sistemas já existentes para orientar ações mais efetivas.

Outro ponto fundamental é o fortalecimento da atuação conjunta entre saúde, assistência social, educação e outras áreas, construindo redes de cuidado que realmente acolham a população. A Atenção Primária tem papel estratégico nesse processo, especialmente na identificação precoce de riscos e na atuação preventiva no território.

Além disso, foi reforçada a importância de combater o idadismo e valorizar o envelhecimento com dignidade, autonomia e protagonismo.

Como destaque importante deste congresso, o município de Osasco demonstra sua força na produção científica ao enviar mais de 80 trabalhos para o COSEMS-SP, evidenciando o compromisso com a qualificação contínua da rede e a valorização do conhecimento aplicado à prática.

Dentre esses trabalhos, dois são de minha autoria e refletem diretamente minha atuação na integração entre os níveis de atenção à saúde.

O primeiro, desenvolvido junto à Atenção Primária, aborda o matriciamento em dermatologia, com foco no impacto da educação médica continuada na qualificação dos atendimentos. A proposta fortalece a capacidade resolutiva das equipes da atenção básica, ampliando o acesso e reduzindo a necessidade de encaminhamentos desnecessários para especialistas.

O segundo trabalho, voltado à Atenção Secundária, trata do matriciamento em curativos, envolvendo enfermeiros, técnicos e médicos. O objetivo é aprimorar o cuidado de pacientes com feridas, padronizar condutas, qualificar a assistência e organizar melhor o fluxo dentro da rede de saúde.

Essas iniciativas reforçam a importância do conhecimento compartilhado e da educação permanente como estratégias fundamentais para fortalecer o SUS e melhorar, de forma concreta, o cuidado com a população.

Estar aqui é reafirmar meu compromisso com uma saúde pública mais humana, eficiente e acessível. Porque envelhecer com qualidade não acontece por acaso — é resultado de planejamento, uso inteligente de dados e integração entre setores.

Cuidar da saúde pública é, acima de tudo, cuidar de pessoas.

O COSEMS-SP Congresso de Secretários Municipais de Saúde contou com a presença do secretário de Saúde Fernando Machado e da secretária adjunta Suzete Franco. A diretora da Atenção Primária Erica Lima e diversos profissionais da saúde de Osasco também marcaram presença no evento, realizado em Santos.

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