
Há lugares onde a história está escrita nos livros. Em Pirapora do Bom Jesus, ela também está escrita no couro do bumbo, no passo da dança, na voz dos sambistas e na memória de quem aprendeu que samba não é apenas música: é identidade.
E quando Moisés da Rocha, há décadas, abre espaço para o samba e anuncia que “o samba pede passagem”, é como se uma velha tradição paulista respondesse: a passagem sempre esteve aberta. E, em Pirapora, ela passa pelo batuque.
Foi ali, às margens do Rio Tietê, que o samba de bumbo ganhou uma de suas mais importantes casas. Uma tradição que chamou a atenção de Mário de Andrade ainda na década de 1930, quando o escritor e pesquisador esteve em Pirapora e registrou aquela manifestação que ajudaria a revelar ao Brasil a força e a singularidade do samba paulista.
Mário de Andrade olhou para aquele batuque com olhos de pesquisador. Moisés da Rocha, com ouvidos de sambista. E os dois, separados pelo tempo, ajudam a contar a mesma história: a de um samba que nasceu do povo, atravessou gerações e continua pedindo passagem.
Neste mês em que Pirapora do Bom Jesus celebra seus 301 anos, o passado encontra o presente no Samba do Pé Vermêio – no Berço do Samba Paulista, marcado para o dia 16 de agosto, às 13h, no Centro da cidade.
E talvez seja justamente essa a maior beleza de Pirapora: enquanto o calendário conta os anos, o bumbo conta a história.
Porque algumas cidades comemoram seu aniversário com fogos.
Pirapora comemora com samba.
E a gente agradece.
É nesse cenário que Pirapora recebe, no dia 16 de agosto, às 13h, o Samba do Pé Vermêio – no Berço do Samba Paulista, na Rua José Bonifácio, 226, no Centro. A programação contará com a apresentação do Grupo de Samba de Bumbo Paulista Pé Vermêio e também com a tradicional feijoada.
Mais do que uma roda de samba, o encontro representa uma oportunidade de celebrar e manter viva uma manifestação cultural que faz parte da identidade piraporana.
Parabéns Pirapora! Viva o Berço do Samba Paulista!


