Quem paga essa conta?

Colunistas Talita Andrade

Esse texto vem cheio de dúvidas e pensamentos. É uma reflexão na qual eu não tenho uma resposta concreta. Talvez seja uma situação em aberto para vocês também. Então, se quiserem interagir com opiniões e conselhos, está aberto o canal para tal. Vamos discutir sobre isso?

A vida é uma grande evolução. Antigamente as mulheres eram criadas para encontrar um marido, construir uma família, ter filhos e viver para o lar. Os homens eram ensinados a serem financiadores do lar, da mulher e dos filhos. Eles aprendiam a abrir a porta do carro, a pagarem a conta do restaurante e prestar toda gentileza possível para mimar a mulher.

Hoje, muitas mulheres entendem que não precisam esperar tanto dos homens, que são totalmente capazes de financiar seus gostos, necessidades e luxos. Deixam de esperar o convite, e convidam; querem ajudar na conta do restaurante; não ficam esperando o beijo, e beijam primeiro.

Em terra onde rede social e movimento feminista tem voz e grande importância, ficamos confusas sobre o que mais se conecta com o nosso “eu”. Críticas e julgamentos são inevitáveis. Aceitemos isso! Portanto, o que realmente precisa ser analisado, para ser seguido, é: como você se sente melhor? Sendo gentilmente mimada num encontro ou sendo parceira nas despesas?

São apenas detalhes, mas precisam ser avaliados para saber se isso causa algum mal estar para você, mulher, já que é a parte ainda desvalorizada pelo machismo.

Eu, por exemplo, comecei a trabalhar com 15 anos e conquisto as minhas coisas desde então. Cresci e me tornei uma mulher independente a ponto de não concordar com mimos de homens, por sentir que ao aceitar precisaria compensá-lo de alguma forma. Até que um relacionamento abusivo, no qual meu parceiro tinha mais condição e gostos mais caros, me tirou um pouco o poder de arcar com nossa rotina de casal. Eu aceitava a situação, mas não ficava confortável com isso pois realizava compensações às quais eram manipuladas – seu senso de troca me impunha tal condição. Agora solteira, após experiências humilhantes, entendo que eu preciso ser leal ao que sinto e não ignorar meu bem estar em prol do ego alheio. Entretanto, com uma postura independente, sei que os homens se afastam, por não concordarem com a divisão de despesas ou serem “bancados”, por ferir a masculinidade deles.

Acho que se posso, por que isso tem que ir contra a dignidade do sujeito? Mas aí, penso no contrário também, se eles podem pagar, por que isso tem que ir contra a minha dignidade e moral? Todavia, uma mulher não vai pressionar ou assediar um homem a esticar a noite só porque ela pagou um jantar, né? Já o homem…

E assim caímos no impasse: Como fazer para equilibrar nosso poder por liberdade, expressado vorazmente pelo movimento feminista, com o machismo ainda presente?

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