Quem você quer ser quando morrer?

Colunistas Talita Andrade

Parece bobagem pensar nisso quando estamos vivos. Muitas pessoas não pensam na morte. Outras pensam tanto que esquecem da vida.

O fato é que é comum vermos em noticiários e ouvir conhecidos falando sobre alguém que morreu, o quanto a pessoa era boa e jovem, como sua partida foi injusta e precoce.

Eu fiquei pensando como será quando eu morrer. Como as pessoas reagirão. Quais sofrerão de verdade e quais serão indiferentes. Penso nos meus amigos que dirão “Ela era uma boa moça, meio doidinha, jovem. Que pena”. Penso na minha família lamentando a sobrinha ou a neta querida. Mas como podem saber como eu era, se a distância e a correria da vida de cada um, nos afastou e não presenciaram meus novos verdadeiros eu?!

Penso nos meus pais e o vazio que sentirão, ao perceber o quanto eu era diferente de tudo que eles acharam que eu seria. Até mesmo o fato de eu ter superado os sonhos que eles tiveram para mim. Imagino minha mãe lamentando todas as vezes em que ela não me entendeu ou fingiu não me escutar, por ser doloroso demais ouvir o que eu tinha para falar.

Imagino também minhas melhores amigas, encarando todas as pessoas mentirosas e falsas presentes no meu último adeus, pois sendo minhas amigas de verdade, realmente sabem quem foram os de mentira, para mim. Elas suportarão o coração apertado, mas teriam raiva pelos que não tinham o direito de estar ali velando minha pós vida.

Imagino meus filhos confusos, sem entender o que de fato significava “eu ter virado uma estrelinha”. Eles sentirão medo, mas a dor só virá com o passar dos dias.

Talvez, algumas pessoas ainda lerão meu nome, afinal, eu tentei deixar minha marca no mundo. Meus livros, meus textos, minhas reflexões. Eu tentei aconselhar os perdidos e motivar os que nem sabiam que estavam precisando.
Mas o que mais desejaria nesse cenário todo é que ao ser lembrada, nascesse um sorriso na face dos que realmente me conheceram. Até uma gargalhada é possível, afinal, fazer os outros rirem sempre foi o meu forte.

Acho que é isso que importa. É como eu sei se o que sou hoje faz a diferença, o que preciso melhorar, e o que devo seguir fazendo. Deixar minha marca como uma inspiração. Fazer com que as pessoas lamentem quem não conhecerá minhas piadas e gargalhadas ou meus aconselhamentos maduros, ao invés delas chorarem por adjetivos comumente fúnebres. Eu não serei comum!

É assim que eu sei que meu caminho está sendo trilhado no bem, com pessoas que realmente importam e se importam. Quero pessoas amigas que não conseguem explicar por que querem estar comigo. Esse é a melhor explicação: Era pra ser.

Faça essa reflexão para sua vida, enquanto você ainda tem vida para consertar as coisas e as marcas que você está deixando.

Fazer o bem é nossa obrigação, deixar um legado é uma opção: uma extraordinária decisão.

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