Representantes de entidades policiais criticam aumento salarial anunciado por Doria

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quarta-feira (30) cinco medidas para o que chamou de valorização das forças policiais do estado, incluindo o reajuste salarial de 5% para todos os agentes de segurança, da ativa e da reserva. O custo do reajuste aos cofres públicos é de R$ 1,5 bilhão. A proposta será enviada à Assembleia Legislativa para aprovação dos deputados.

A proposta de reajuste é para 280 mil policiais militares, civis, técnico-científicos e agentes da Secretaria da Administração Penitenciária ativos e inativos.

Além do reajuste, Doria afirmou que os policiais receberão assistência jurídica gratuita, paga pelo estado, não se aplicando a casos disciplinares, administrativos ou de corrupção; bonificação por resultados que passa a ser bimestral, seis vezes ao ano, antes eram quatro bonificações; auxílio alimentação de todos os policiais será equiparado ao maior valor disponível, R$ 796 de acordo com a jornada e o reconhecimento a todos os policiais o direito de adicional de periculosidade.

A medida, no entanto, não foi bem recebida por representantes de entidades policiais, como Raquel Robashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp). Segundo ela, o anúncio “foi uma falta de respeito com os policiais e com a sociedade”.

Raquel afirma que para se considerar um reajuste, “deveríamos falar em 50%. O governador prometeu em campanha que São Paulo teria a segunda polícia mais bem paga do país.”

Em nota, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) afirmou que a medida é “tímida” e incompatível com a promessa de colocar os policiais civis de São Paulo entre os mais bem pagos até o final do seu mandato.

“A Adpesp externa sua preocupação com a insuficiência do aumento anunciado e ressalta que seguirá cobrando do governador João Doria o resgate da efetiva dignidade salarial da Polícia Civil, bem como o cumprimento de sua palavra”, diz a nota.

Durante o anúncio, Doria disse que 61 policiais estão em treinamento no exterior. “Eles estão nos Estados Unidos, Japão, Israel, Coreia da Sul, Portugal, China e Inglaterra”.

A informação foi questionada por Eduardo Becker Tagliarini, presidente do Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo.

“Se falarmos de estudo, desconheço o incentivo de envio de peritos criminais ou médicos legistas ao exterior. Se isso é feito é apenas para a PM e Polícia Civil, de forma alguma aos policiais técnico científicos. Esperamos que a categoria possa ir ao exterior a partir do ano que vem.”

“A decepção dos integrantes da melhor polícia do país em relação a esse anúncio de 5% de reajuste salarial. Olha o que fazem com a nossa categoria, um som a toda altura para que São Paulo não ouça a voz dos policiais de São Paulo. O que queremos é no cumprimento das promessas de campanha, como reajuste salarial no início do ano e não agora em outubro e não apenas 5%. Vocês não tenham dúvida que é um cala boca [som alto do Tema da Vitória, que foi colocado em volume muito alto após o anúncio feito por Doria] para amenizar a insatisfação dos policiais”, disse o deputado Major Dimas Meca Sampaio (PSL).

A Associação dos Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar (Defenda PM) também disse, em nota, que as medidas anunciadas por Doria não atendem às necessidades da Polícia Militar, “que defende a população há 24 anos sem ao menos receber a reposição inflacionária prevista na Constituição”.

“A chamada recomposição salarial da categoria, ficou provado hoje, é mais uma das promessas de campanha descumpridas por Doria à frente do Executivo Estadual”, diz a nota.

A Defenda PM diz ainda que “boa parte dos ‘benefícios’ anunciados pelo governador, como o auxílio-alimentação e o programa de bonificações, exclui os policiais da reserva”.

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