Vazio que não se preenche

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Por Pryscila Souza

Quantas vezes você foi até a cozinha ou começou a rolar um aplicativo de comida, por estar triste, entediada ou ansiosa? Se identificou? Eu sei que isso é mais comum do que parece.

Recorrer à comida em busca de conforto é humano. Mas, embora o alívio momentâneo, geralmente a sensação de saciedade não chega facilmente, o que pode acarretar em episódios de exagero, gerando culpa. Um ciclo que, muitas vezes, se repete: culpa→ restrição → exagero. E aqui não adianta falar que só falta força de vontade para mudar, pois o ato de comer, não é simples. Está relacionado com o que você aprendeu com a sua família, no ambiente escolar, com as suas memórias, suas habilidades culinárias (ou falta delas), com o ambiente onde você mora e também com o dinheiro.

Durante o período de amamentação, o que a mãe faz não é somente oferecer o alimento, mas todo o cuidado e o afeto através do ato de amamentar. Conexão essa que ficou armazenada no nosso inconsciente. Assim, em momentos de “vazio” podemos inconscientemente buscar comida quando, na verdade, buscamos por distração, acolhimento ou lidar com situações difíceis. E o alimento nem sempre vai conseguir preencher esse lugar. Mas então, o que fazer?

O primeiro passo é parar e respirar, tentar identificar o que está sentindo. Será que é tristeza, tédio ou cansaço? Se for tristeza, já pensou em ligar para alguém, conversar ou escrever? Agora se for cansaço, um banho relaxante pode ajudar, uma música. No caso do tédio, ler um livro, ver o episódio favorito da sua série, uma caminhada. Pry, já tentei tudo e a vontade persiste, então permita-se, mas coma com atenção, sem distrações, saboreando cada mordida, honrando o momento.

Sentir esse vazio não é sinônimo de falha, é um sinal que algo mais profundo pede a sua atenção. E neste ponto entra o meu trabalho, a nutrição comportamental, mais do que falar sobre nutrientes, trabalho a sua relação com a comida, para que você esteja no controle e não o contrário.

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