Funcionário desde 1993, José Aparecido dos Santos é parte da história do basquete em Osasco e do Ninho da Coruja
No Ginásio Geodésico, em Osasco, há um nome que ecoa diariamente antes, durante e depois dos jogos do Basket Osasco: Zé Negão. Basta algo acontecer para alguém perguntar: “Cadê o Zé?”. José Aparecido dos Santos, conhecido carinhosamente como Zé Negão, é muito mais do que o mordomo do time. Ele é memória viva, cuidado diário e símbolo do basquete osasquense.
Aos 72 anos, Zé Negão olha para o Geodésico e não vê apenas arquibancadas, quadra ou vestiários. “O Geodésico significa uma vida”, resume. Desde a inauguração do ginásio, em 1993, ele está presente, atuando como funcionário da Secretaria de Esportes, massagista e apoio a diversas modalidades, como basquete, judô, futsal e atletismo.
Da construção do Geodésico à retomada do Basket Osasco
Zé Negão acompanhou de perto a transformação do espaço esportivo. “Quando cheguei, o terreno era enorme, tinha um terrão. Vi o ginásio nascer e se tornar um dos principais espaços esportivos da cidade”, relembra.
A ligação definitiva com o basquete masculino veio em 2012, com a retomada do projeto adulto e a criação da AERCO, quando ele passou a atuar diretamente como mordomo do time. “Mudou muito, e mudou para melhor”, afirma, ao comparar o passado com o atual momento do Basket Osasco.
Identidade com Osasco e orgulho do NBB CAIXA
Ícone do esporte local, Zé Negão recebeu convites de grandes clubes, como Corinthians e São Paulo, mas nunca cogitou deixar Osasco. “Sempre escolhi ficar aqui”, diz.
A emoção aumenta ao falar da fase atual. “Jamais imaginei viver o que estamos vivendo”, confessa. Para ele, ver o Basket Osasco disputando o NBB CAIXA, principal campeonato de basquete do país, é algo histórico. “Estar no NBB é incrível. Agora, o desafio é nos manter entre os gigantes, porque é um dos campeonatos mais fortes do mundo.”

Liga Ouro e a atmosfera histórica do Geodésico
Entre tantas histórias, uma marcou para sempre: o título da Liga Ouro. Mesmo com a conquista confirmada fora de casa, Zé Negão aponta o Geodésico como decisivo. “Foi aqui que reagimos. Nunca vi uma atmosfera como naqueles dois jogos da final, com casa cheia”, relembra.
Após sair perdendo por 2 a 0 na série, o Basket Osasco empatou jogando em casa e conquistou o título em Minas Gerais. “Sem aquela atmosfera no Geodésico, não teríamos conseguido. Ali foi a virada de chave.”
Rotina intensa e dedicação diária
A rotina de Zé Negão explica sua importância no dia a dia do clube. “Chego entre 8h e 8h30 e nunca sei que horas vou embora.” Ele abre o ginásio, confere vestiários, separa materiais e resolve tudo o que for preciso.
Em sua sala, há de tudo: bolas, uniformes, material médico, itens de limpeza e ferramentas improvisadas. “Quem precisa, sabe onde me encontrar”, afirma. No passado, chegou até a dormir no ginásio. “Hoje é mais difícil, mas se precisar…”
Gerações, respeito e legado no basquete de Osasco
Ao longo das décadas, Zé Negão viu gerações passarem. Ainda antes do Geodésico, no Ginásio José Liberatti, deu suporte a nomes como João Ricardo, atual diretor executivo, e Rosinaldo, supervisor do clube.
Jogadores históricos também ficaram marcados em sua memória, como Lupa, André Góes e o argentino Cafferata. Do elenco atual, não faz distinções. “Gosto de todos. O respeito que eles têm por mim é o mais importante.”
Esse carinho se estende à torcida e às categorias de base. “Eles são o futuro.” Talvez por isso, no Ninho da Coruja, sempre que algo acontece, alguém chama por ele.
Porque Zé Negão não cuida apenas do ginásio. Ele cuida de histórias. E a dele está escrita, para sempre, no chão da quadra do Ginásio Geodésico.

