Há algumas semanas, eu estava assistindo a um jogo de vôlei no ginásio quando escutei uma mulher comentar com outra sobre o corpo das jogadoras: “Você viu só, elas também têm celulite”. Achei interessante este comentário, pois foi feito com um tom de surpresa, e fiquei pensando porque essa mulher se surpreendeu ao ver celulite, qual era o imaginário que ela tinha do corpo de uma atleta? Pensando nisso, digitei no Google corpo de atleta, os resultados mostravam, em sua maioria, corpos magros e musculosos.
Existem vários esportes e também diversos corpos de atletas diferentes, temos atletas altos, baixos, magros, gordos, com diversas faixas etárias. Inclusive corpos com celulite, gordura corporal e marcas na pele, e isto não anula o desempenho. Na modalidade de arremesso de peso, vemos atletas com corpos maiores demonstrando agilidade e força absurdas. No esporte, o corpo é essencial para a funcionalidade e desempenho da modalidade e não para a estética, o foco não é “agradar” o outro.

Entretanto, quando as pessoas pensam em um atleta, vem à mente exatamente a imagem que eu achei. Com o uso das redes sociais, somos apresentados a corpos que na verdade são a exceção, corpos super magros ou treinados. As redes não mostram corpos aleatórios, o algoritmo tende a repetir o padrão estético. Quando olhamos para o esporte, percebemos que ele não exclui, pelo contrário, abre espaço para uma diversidade de corpos. E isso faz sentido, afinal, vivemos em uma sociedade formada por corpos diversos.
Agora, você pode estar se perguntando: Pry, mas qual é o problema disso? Quando passamos muito tempo consumindo imagens de corpos considerados “atléticos” e perfeitos, começamos a enxergar os corpos reais e saudáveis como inadequados. E isso impacta na forma como você se percebe, na sua autoestima, no comportamento alimentar e na sua relação com a atividade física.
Então se você está surpresa, assim como a mulher que fez o comentário no jogo de vôlei, talvez você esteja passando muito tempo nas redes sociais, e não vendo corpos reais. Assista mais esportes, olhe o corpo das pessoas na rua, no trabalho, na faculdade, pois talvez o padrão que aparece o tempo todo na sua tela seja justamente a exceção e não a regra.

