A mesma cidade. Novos hábitos.

Colunistas Eliabe Visa
Eliabe Visa

O semáforo abriu. Fechou. Abriu de novo. E eu continuava praticamente no mesmo lugar.

Da janela do carro, comecei a observar o movimento ao redor. As mesas dos bares já estavam ocupadas. Colegas de trabalho se encontravam nas calçadas. Carros de aplicativo paravam a todo instante. A cidade tinha aquele velho clima de fim de expediente.

Só havia um detalhe.

Ainda era quinta-feira.

Essa cena tem se repetido diante dos meus olhos nos últimos anos. As quintas ganharam um pouco da alma das sextas. Não porque alguém mudou o calendário, mas porque nós mudamos a forma de viver a cidade.

Antes da pandemia, a semana seguia um roteiro conhecido. O trabalho presencial concentrava as pessoas nos escritórios, e a sexta era o dia quase oficial do happy hour. A pandemia interrompeu vidas, separou famílias e deixou uma dor que jamais será apagada. Mas, enquanto tentávamos seguir em frente, alguns hábitos mudaram junto com a rotina.

O trabalho híbrido ganhou espaço. As reuniões migraram para as telas. Os encontros encontraram novos dias. E a cidade registrou tudo isso sem dizer uma palavra.

Basta olhar para o trânsito, para os bares ou para os escritórios. Quando milhares de pessoas mudam pequenos hábitos, a cidade muda junto. Não nas ruas, nos prédios ou nos semáforos, mas na forma como esses espaços passam a ser ocupados.

Talvez seja isso que me fascina nas cidades.

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