Água tratada ou maltratada?

Na semana em que se comemorou o Dia Mundial do Meio Ambiente foram divulgados dados sobre o tamanho do desperdício de água potável no país. O estudo foi realizado pelo Instituto Trata Brasil e GO Associados e utiliza os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – 2017). De acordo com o levantamento, o desperdício de água tratada no território nacional é de 38%, equivalente a quase sete vezes o volume útil do sistema Cantareira, principal manancial que abastece a região metropolitana de São Paulo. No norte e nordeste o problema é ainda mais crônico; em Roraima, as perdas são de 75%, no Amazonas o percentual é de 69%, enquanto que no Amapá é de 66%. No Nordeste 46% da água é desperdiçada, sendo que, no Maranhão, chega a 60% e, em Pernambuco, a 52%. Mesmo em São Paulo, estado mais rico da federação, o desperdício é muito acima do razoável e chega a 35%, percentual igual ao do Paraná. No Rio de Janeiro as perdas são de 31%. Apenas para efeito comparativo, na Dinamarca o índice de perdas é de 6,9%; nos Estados Unidos, de 10,3%; e na Coreia do Sul, de 16,3%. O Brasil perde para outros países latino-americanos, como o México (24%), Equador (31%) e Peru (35%). Assim que assumiu o governo federal, o presidente Bolsonaro cogitou adquirir tecnologia israelita para a dessalinização da água do mar para o abastecimento do semiárido nordestino. O modelo é considerado caro demais por especialistas brasileiros e mesmo do país do Oriente Médio. Em visita recente ao país, o especialista e coordenador de projetos da Companhia Nacional de Água de Israel, Diego Berger, afirmou que o Brasil não precisa da tecnologia de dessalinização da água do mar, já que temos água suficiente. Segundo ele, nosso problema é cultural, pois temos água em abundância. O que deve ser feito, segundo Berger, é melhorar a gestão para combater o desperdício. Apesar de assustadores, os números parecem não impressionar boa parte da população. A verdade é que o desperdício de água potável bem que poderia ser pauta de manifestações políticas país afora. Infelizmente, porém, esse tipo de tema ainda não nos sensibiliza tanto quanto deveria.

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