Celeridade do tempo e brevidade da vida

É numa fração de segundo que a vida começa. E da mesma forma, numa fração de segundo, ela termina. Sobre a celeridade do tempo e a brevidade da vida escreveu Mario Quintana, nosso poeta brasileiro:

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!

Quando se vê, já é sexta-feira!

Quando se vê, já é natal…

Quando se vê, já terminou o ano…

Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.

Quando se vê passaram 50 anos!

Agora é tarde demais para ser reprovado…

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…”

O poeta tinha mesmo razão. Quando se vê, o tempo levou consigo aquele nosso “hoje” que nos parecia eterno. Não importa se ele foi bem ou mal vivido, restará apenas a memória de um passado recente – ou talvez distante – ao qual não temos mais poder para alterá-lo.

Agostinho de Hipona fez uma longa e profunda reflexão sobre o tempo cronológico. Na obra Confissões, Santo Agostinho questiona: “Que é, pois, o tempo?” E responde desconcertado: “Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se eu quiser explicar a quem me indaga, já não sei.” O filósofo e santo de Hipona, em seu esforço de tentar compreender o tempo, refletiu assim: “o passado, já foi – permanece apenas na memória; o futuro, ainda não é, temos apenas a possibilidade que ele um dia venha ser; e somente o presente existe”. Existe o “presente das coisas passadas”, ou seja, a lembrança do passado que se faz presente quando o recordo, mas não tenho como mudá-lo; existe o “presente do futuro”, isto é, a “visão presente das coisas futuras” e a “esperança presente das coisas futuras”, no entanto, não posso tocá-lo enquanto ele não se apresenta na realidade do hoje; e existe o “presente do presente”, essa fração de segundos, o “agora” onde a vida acontece. E é somente no presente do presente que posso ser coautor da minha história.

Teresa de Lisieux, uma jovem poeta francesa, que entrou para a história por seu jeito santo, simples e objetivo de viver a vida, expressou-se assim sobre a brevidade da vida:

“Minha vida é um instante, um brevíssimo segundo, um dia só que passa e amanhã estará ausente. Só tenho, para amar-Te, ó meu Deus, neste mundo, o momento presente!”

A vida é um brevíssimo segundo! Não se trata de pessimismo – antes que alguém assim me acuse! –, mas do reconhecimento da realidade a respeito da celeridade do tempo e da brevidade da vida.

Os planos para amanhã, para o próximo mês ou para os próximos anos devem ser feitos, certamente, mas não há nenhuma garantia de que eles venham a ser realizados. Não porque nossos planos sejam ruins, mas porque o amanhã é incerto. Somente agora, neste presente que nos é dado como dom é que temos alguma chance de viver bem a vida, de amar e fazer o bem.

Independente do que esteja acontecendo neste exato momento no mundo ou em nossa vida, “agora” é o melhor momento para assumirmos o protagonismo de nossa história. Não há mais tempo a perder. Enquanto a esperança em dias melhores nos sustenta, busquemos hoje o sentido da vida, com a responsabilidade que este dia nos exige.

Não olhe o relógio, jogue pelo caminho a casca dourada e inútil das horas e siga em frente, tornando sua vida digna do dia de hoje que te foi dado como dom. Lembre-se: a vida é um brevíssimo segundo…

1 COMENTÁRIO

  1. Como sempre coerência mais um texto riquíssimo… Rogerio Santos é diferente, só lamento que se pedir uma simples redação para nossos vereadores de Osasco, com certeza haveria muitos erros de ortografia, porém o mais trágico o séria o conteúdo.
    Parabéns ao nobre vereador Rogério!!

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