Cipó é convocado para o Panamericano de Lima

Capa Colunistas Esportes Márcio Silvio

Wellington Bezerra, o Cipó, competia em provas curtas, agora ele se arrisca na maratona. Morador de Santana de Parnaíba, ele começou no Grêmio Barueri, passou pelo Cruzeiro e sonha com a Olímpiada


 

Até 2016, ele competia em provas de até 15km. Com essas passadas e marcando bons resultados, não demorou para que o pernambucano Wellington Bezerra, o Cipó, entrasse na galeria da Confederação Brasileira de Atletismo. Ele surgiu vestindo a camisa do extinto Grêmio Recreativo Barueri, de lá foi para o Cruzeiro de Belo Horizonte. Sempre morando em Santana de Parnaíba, atualmente está sem clube, mas entre os principais do Brasil – tanto que agora festeja convocação da seleção para o Pan-americano de Lima, de 27 de julho a 10 de agosto, e entra em rota direta para os Jogos Olímpicos de Tóquio ano que vem.
Mas o parnaibano não vai para a meia-distância porque desde 2016 migrou para a maratona cujo percurso conta 42,195km. “Decidi me tornar maratonista pela chance de integrar a seleção brasileira e competir nos principais torneios internacionais”, revela o atleta, apontando para esse imediato Pan-americano. Sim, o planejamento dele bate certinho porque já faz parte do Time Brasil e viaja agora com a seleção para o Peru.
Motivação não falta para ele que tem como principal sonho, os Jogos Olímpicos de Tóquio. E para chegar lá, nos últimos três anos vem num treino intenso todos os dias pelos altos e baixos de Santana de Parnaíba – região com topografia tudo a ver para ele.
No Pan de Lima, Cipó cumpre a sexta maratona desde 2016. Hoje com 31 anos, está na idade e condição física perfeita para um maratonista. Em abril foi muito bem na Alemanha com 2h13m34s na prova de Hamburgo, resultado que o guindou entre os primeiros do ranking. Antes disso e também na Alemanha, teve a Maratona de Berlim, Cipó surpreendeu com 2h13m43s, sendo que essa é a prova de maratona mais veloz do mundo. Sim, o garoto figura entre os principais feras do planeta.
Cipó surgiu defendendo o extinto Grêmio Recreativo Barueri. Como o atletismo profissional foi desativado lá, não demorou para surgir um grande clube que foi o Cruzeiro de Belo Horizonte. Com a camisa azul, Cipó foi marcando pódios e também presença na Corrida Internacional de São Silvestre. Mas após a última edição dessa tradicional prova paulistana, o Cruzeiro fechou as portas para o atletismo e Cipó voltou a viver o despejo. “Desde o início do ano venho num trabalho solo”, lamenta. Para não perder a qualidade e a eficiência nos treinos, nas horas vagas ele vai em busca de parcerias. Graças aos bons contatos ele tem amigos fisioterapeutas e até um estúdio de pilates para reforço físico; ele conseguiu apoio de uma marca de suplementos e esse conjunto de colaboradores é que o mantém no topo. “Patrocínio oficial mesmo, estou zerado”, ressalta.
Mas essa dureza pode estar acabando porque há um clube interessado, notícia que vem de Pernambuco, terra de origem do nosso herói. A Associação Petrolinense de Atletismo conversa com Cipó e as negociações avançam para que ele seja abraçado pela bolsa esportiva do governo estadual. Então o Correio Paulista pergunta se ele está deixando Santana de Parnaíba, ao que ele responde com um não bem expressivo, que esse apoio de Pernambuco não o obriga a se mudar por seguir o mesmo padrão profissional do Cruzeiro – quando fechou com o clube de Belo Horizonte não precisou deixar São Paulo. No fim do mês veste a camisa do Brasil na maratona do Pan de Lima em busca de qualificação olímpica, depois volta à Alemanha para cravar de vez as passadas rumo a Tóquio 2020.

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