
Você já se pegou pensando nas calorias enquanto comia? Já se julgou por ir para o segundo ou terceiro pedaço de pizza? Já teve aquela sensação de que “estragou tudo” depois de comer um chocolate? Ou pensou algo como: “ Ah, eu como agora e depois queimo na academia”, “Eu treino para poder comer…”? Se você sente e passa por isso frequentemente, eu preciso te dizer que você não tem um comer normal.
Vivemos imersas em crenças alimentares e regras autoimpostas, que nos levam a um sentimento de culpa, vergonha e desmerecimento. Mas será que todos esses sentimentos combinam com a comida? Segundo o dicionário Michaelis (sim, eu desenterrei), a culpa é a responsabilidade por algo danoso, um crime, uma falha moral ou social. Então, me diga: comer é um crime? É imoral? Em que momento a comida se tornou algo para nos culparmos? Talvez você esteja pensando: “Mas, Pry, e as doenças crônicas, diabetes, hipertensão, colesterol alto? Elas não estão relacionadas à alimentação? Sim, estão. Mas estão relacionadas a um conjunto de hábitos ao longo do tempo, e não aquele brigadeiro que você comeu em uma tarde porque estava com vontade.
O que tem acontecido é que estamos lidando com o alimento como se ele pudesse trazer um benefício ou malefício imediato, então tomou um shot de cúrcuma, imunidade turbinada! Tomou um sorvete, pronto vai ter diabetes. Porém não é desta forma que o nosso corpo funciona, e essa visão tem impactado profundamente a nossa relação com a alimentação.
A nutricionista americana Ellyn Satter, traz uma definição sensata sobre o que é o comer normalmente: “ Alimentar-se normalmente é ser capaz de comer quando você está com fome e comer até ficar satisfeito, é saber cuidar da seleção de alimentos para consumir os alimentos nutritivos, mas sem ser tão restritivo a ponto de não comer alimentos prazerosos e indulgentes. É dar permissão a você mesmo para às vezes comer porque está feliz, triste ou chateado, ou apenas porque é gostoso. Alimentar-se normalmente consiste em três refeições por dia, ou quatro ou cinco, ou ocasionalmente escolher beliscar em um determinado dia. É também deixar alguns biscoitos no prato porque você sabe que pode comer mais amanhã ou então comer mais agora porque eles têm um sabor maravilhoso quando estão frescos”
Comer normal não faz parte de uma dieta rígida ou do plano alimentar perfeito. Parte do autoconhecimento, é saber ouvir o seu corpo e as suas vontades, é ter autonomia para fazer as melhores escolhas a partir do seu contexto, é ser flexível e saber que a resposta pode variar a depender da sua fome, ambiente e emoções.
Hoje, eu te convido a se perguntar: O que você realmente gostaria de comer na sua próxima refeição?

