Confiança, base de uma sociedade fraterna

Vivemos tempos difíceis… A desconfiança parece ter alcançado o seu lugar mais alto na história da humanidade. A mentira é cultuada, a verdade relativizada e a pós-verdade tornou-se a base das relações sociais. Esse tripé gerador de desconfiança pode deixar cada vez mais longe o ideal de uma sociedade fraterna e virtuosa. Nesta selva da desconfiança, a ausência da verdade faz pairar a dúvida nas relações sociais. Quando a verdade é retirada, resta-nos apenas a desconfiança.

As regras sociais estão sendo ditadas por um inversão da realidade. Exige-se do inocente a prova de sua inocência e não mais do acusador o ônus da culpa; aquele que mente é apenas alguém que se enganou, enquanto aquele que diz a verdade é chamado de intolerante; quem rouba é justificado como vítima da sociedade, enquanto aquele que trabalha e empreende é taxado de explorador dos pobres; o prêmio de mulher do ano é dado a uma cantora famosa, enquanto a professora que morre queimada para salvar os alunos é relegada ao esquecimento…

Isso tudo não é fruto do acaso. A ditadura do relativismo foi o regime filosófico imposto ao nosso tempo. O relativismo – ausência da verdade absoluta – atingiu a moral, a cultura, a educação e praticamente todos os setores das relações humanas. Tenho as vezes a impressão de que a sociedade abdicou do pensamento e do uso da razão para deixar-se conduzir pelos desejos e impulsos irracionais.

O mal da desconfiança se torna ainda mais grave quando alguém é desacreditado e julgado apenas por participar de um determinado grupo social. O provérbio “diga-me com quem tu andas e te irei quem tu és” já induziu muita gente ao erro. O julgamento induzido pela desconfiança prévia, sem base na verdade, já condenou muitos inocentes na história.

É próprio do relativista generalizar, condenar o coletivo. Se algum jornalista é mal intencionado, não significa que toda a imprensa deva ser execrada. Também não é justo condenar toda a classe dos professores porque uma parte deles serve à ideologias absurdas que desvirtuam a própria função de ensinar. E se no poder judiciário alguns magistrados cederam ao espírito de corrupção que assola o país, convém lembrar que existem advogados, juízes e muitos outros magistrados que prestam um serviço de excelência ao país sem se deixarem corromper. E, ainda, se um grupo de maus políticos erra em sua conduta, não é razoável condenar toda a classe política, pois há quem esteja na política gastando a própria vida para promover o bem comum.

De certo modo, todos nos tornamos vítimas da desconfiança mútua. Se a “esmola é demais, até o santo desconfia”, dizem. Vejam só: desconfiamos até mesmo de quem nos oferece espontaneamente algo bom. É obvio que não podemos ser inocentes ou imprudentes, a ponto de nos deixarmos enganar pelos aproveitadores de plantão, essa gente sem escrúpulo que vive para tirar proveito das situações. Mas o que será da sociedade se ela não recobrar a confiança mútua?

A melhor forma de reconstruir a confiança é levando uma vida coerente, fundamentada na verdade e no bem. É tempo de resgatar a confiança nas relações humanas. A confiança funda uma sociedade melhor, pois simplifica a vida e aproxima as pessoas boas e verdadeiras.

Confiança é aquela virtude rara que se encontra em pessoas ou instituições que se fundam sobre a verdade. Ela se revela na coerência entre discurso e prática, entre a promessa e a realização, sobre os pilares da verdade, da justiça e do bem comum.

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