Entre o 13 e o 22

Capa Política

Por – Gregório José

Entre o 22 do Partido Liberal e o 13 do Partido dos Trabalhadores, o Brasil parece ter-se transformado num imenso estádio de futebol, onde a política se joga como uma final de campeonato e os eleitores se comportam como torcedores de carteirinha.

O país está dividido. De um lado, o verde e amarelo. Do outro, o vermelho. Uns saíram em caminhadas, outros em passeatas e motociatas. Há quem diga que roubaram as cores da Seleção Brasileira para vestir candidatos, enquanto outros querem de volta aquilo que sempre foi de todos, as cores de uma nação.

Nas ruas, os fãs duelaram, discutiram, provocaram-se e, por vezes, esqueceram-se de que, antes de serem 13 ou 22, são brasileiros. Defenderam os seus candidatos com uma paixão digna de final de Copa do Mundo, mesmo quando, no meio de tanta gritaria, as propostas para o país parecem ter ficado no balneário.

E o mais curioso é que, entre o 13 e o 22, existem oito números de diferença. Oito pontos, oito algarismos, oito razões para uma distância que parece muito maior. Afinal, entre os números há uma diferença matemática, mas, entre as pessoas, abriu-se um abismo que nem a aritmética consegue explicar.

O que mais se ouviu durante 45 dias de campanha foram mentiras, acusações e promessas. Depois, vieram mais 21 dias de asneiras, como se a política tivesse deixado de ser um exercício de cidadania para se transformar num concurso de insultos.

No fim das contas, os candidatos passam, os discursos desaparecem e as bandeiras acabam guardadas. Mas o povo continua cá, a dividir o mesmo chão, a enfrentar os mesmos problemas e a pagar a mesma conta.

E fica a pergunta. Se nenhum dos dois apresentou soluções capazes de convencer os brasileiros de que a sua vida pode melhorar, por que razão os seus adeptos se comportam como se a vitória de um fosse a derrota do próprio Brasil?

Entre o 13 e o 22, há oito números. Entre brasileiros, porém, não deveria haver um muro.

Nem picanha, nem lagosta. O brasileiro continuará espremido em transportes públicos precários e demorados, comendo de quentinha, pagando aluguel e fazendo malabarismos para chegar ao fim do mês. Afinal, entre bandeiras, motociatas, discursos inflamados e acusações de parte a parte, nenhum dos dois parece ter explicado como pretende melhorar, de verdade, a vida de quem trabalha para sobreviver.

E talvez esta seja a maior tragédia de uma democracia transformada em campeonato. Enquanto o povo briga para decidir quem merecia sentar-se no trono, os poderosos trocam de lugar, a cadeira do brasileiro continua a ser a mesma, dura, desconfortável e sempre à espera de alguém que se lembre de quem a sustenta.

Gregório José

Jornalista/Radialista/Filósofo

Pós Graduado em Gestão Escolar

Pós Graduado em Ciências Políticas

Pós Graduado em Mediação e Conciliação

MBA em Gestão Pública

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *