Gráfica responsável por imprimir as provas do Enem, com unidade em Osasco, decreta falência

Fonte: Publishnews

A RR Donnelley, uma das maiores gráficas especializada na impressão de livros no País, entrou com pedido de autofalência na 1ª Vara Cível de Osasco. O valor da ação é de R$ 100 mil e será conduzida pelo juiz Fernando Dominguez Guiguet Leal.

Os funcionários que seguiram para o trabalho nas plantas da gráfica no País encontraram as portas fechadas e um comunicado em que a empresa anuncia o fim de suas operações no Brasil. O comunicado que também pode ser ouvido ligando no 0800-892-0473 diz que a decisão foi tomada com base em diversos fatores, incluindo “as atuais condições de mercado da indústria gráfica e editorial tradicional, que estão difíceis em toda parte, mas especialmente no Brasil”. A empresa diz ainda que o pedido se justifica pela insuficiência de seu caixa para honrar a folha de pagamento do próximo mês. Aos funcionários, a empresa diz que possui ativos que, uma vez alienados, servirão como garantia dos passivos trabalhistas.

A Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) lamentou saída da empresa norte-americana do Brasil. Para João Scortecci, diretor do segmento editorial na entidade, o fim das atividades da RR Donnelley no Brasil mostra a fragilidade do mercado de livros no País. “Vivemos duas crises. Uma que assola o País desde 2013 e outra que é gerada pelo próprio mercado, com a situação da Saraiva e da Cultura, que era uma bomba que estava armada há anos. A maneira como essa bomba explodiu, causou no mercado um efeito dominó e, claro, chegou às gráficas”, disse ao PublishNews. “As gráficas sentiram muito a diminuição da quantidade de serviços por conta da primeira crise. Mas daí veio a segunda e com ela a incapacidade de o editor renovar seus estoques e como consequência, as reimpressões caíram muito também”, concluiu.

Scortecci ressalta que a Abigraf criou, no fim do ano passado, um grupo de trabalho (GT) que colocou na mesma mesa as entidades representativa de editores e livreiros – como a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) – para debater o assunto e entender como a indústria gráfica pode apoiar a editorial. “Nesse GT, nós estamos repensando o negócio do livro. Uma conclusão a que chegamos é que precisamos realinhar o preço do livro. Sem isso, não há como remunerar os gráficos, os autores, os distribuidores e as livrarias. Os custos são crescentes e os números mostram que o preço não foi reajustado nos últimos anos. Precisamos reequilibrar e encontrar um preço justo. Não há mais gorduras para queimar e a situação da Donnelley mostra isso”, conclui Scortecci, que estima que a empresa tinha 600 funcionários na sua linha de produção.

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