Kaini Dantas de Mesquita Rodrigues e o bebê morreram após episódio no CDP I de Osasco; família relata suposta falta de atendimento, enquanto Polícia Penal afirma que Samu foi acionado e abriu apuração
Uma mulher grávida de oito meses e o bebê morreram após ela passar mal durante uma visita ao Centro de Detenção Provisória (CDP) I de Osasco, na Grande São Paulo, no domingo (4).
A vítima foi identificada como Kaini Dantas de Mesquita Rodrigues. Segundo relatos recebidos pela família, ela teria sofrido um mal-estar e caído durante a visita. Kaini e o bebê foram sepultados nesta terça-feira (6), em Guarulhos.
As circunstâncias do atendimento, no entanto, são alvo de versões divergentes. Familiares relatam uma suposta recusa de auxílio por funcionários da unidade, enquanto a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) afirma que a mulher passou mal do lado externo do presídio e que o Samu foi acionado.
Família relata suposta recusa de atendimento
A família de Kaini passou a receber assistência da Associação de Familiares e Amigos de Presos e Egressos (AFAPE).
Segundo a advogada da entidade, Bruna Almeida, visitantes que teriam presenciado o episódio relataram que funcionários da unidade teriam se recusado a prestar auxílio e orientado que o Samu fosse chamado.
Ainda de acordo com os relatos apresentados à família, Kaini teria caído já sem pulso em uma área interna da unidade.
Não há imagens do momento. Na área onde ocorreu o episódio, os familiares não tinham acesso a celulares.
Secretaria apresenta versão diferente
A Secretaria da Administração Penitenciária apresentou uma versão diferente sobre as circunstâncias do caso.
Segundo a pasta, Kaini sofreu um mal súbito do lado externo da unidade, fora do prédio do CDP I de Osasco.
A Polícia Penal informou que um servidor da subportaria percebeu uma movimentação atípica do lado de fora da unidade, já durante a saída dos familiares que participavam da visita.
Ao verificar o que estava acontecendo, o policial encontrou uma visitante caída após sofrer uma queda e teria acionado imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Antes da chegada da ambulância, porém, Kaini teria sido colocada em um veículo particular e levada ao pronto-socorro.
Polícia Penal abre apuração
A Polícia Penal do Estado de São Paulo informou que abriu uma apuração para esclarecer as circunstâncias da morte.
Segundo a corporação, também foi registrado um boletim de ocorrência relacionado ao caso.
Inicialmente, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que não havia localizado registros com as informações apresentadas. Um novo posicionamento foi solicitado, mas ainda não havia sido divulgado.
A apuração deverá esclarecer, entre outros pontos, onde exatamente Kaini passou mal e como ocorreu o atendimento prestado após a queda, diante das versões diferentes apresentadas pela família e pelos órgãos responsáveis pela unidade prisional.
