Hanseníase: o que é, como se transmite e por que ainda precisamos falar sobre ela

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Por Dra. Simone Neri – Médica Dermatologista

A hanseníase é uma doença antiga, conhecida há séculos, mas que ainda hoje representa um importante desafio para a saúde pública, especialmente no Brasil. Apesar de ter tratamento eficaz e gratuito pelo SUS, muitas pessoas ainda convivem com a doença sem diagnóstico, o que contribui para sua transmissão e para o surgimento de sequelas evitáveis.

O que é a hanseníase?

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae. Ela afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo também comprometer olhos, mãos e pés quando não tratada adequadamente.

O principal sinal de alerta são manchas na pele com perda ou diminuição da sensibilidade, que podem ser claras, avermelhadas ou amarronzadas. Além disso, a pessoa pode apresentar formigamento, dormência, perda de força nas mãos ou nos pés, e dificuldade para sentir dor, calor ou frio.

Como a doença é transmitida?

A transmissão acontece de pessoa para pessoa, por meio das vias respiratórias, após contato próximo e prolongado com alguém que esteja doente sem tratamento.
É importante reforçar:
A hanseníase não é altamente contagiosa
Após o início do tratamento, a pessoa não transmite mais a doença

A hanseníase tem cura?

Sim. A hanseníase tem cura, e o tratamento é feito com medicamentos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura sem sequelas.

O grande problema não é a doença em si, mas o diagnóstico tardio, que pode levar a lesões nos nervos e incapacidades físicas permanentes.

Por que a hanseníase ainda é um problema no Brasil?

O Brasil está entre os países com maior número de casos de hanseníase no mundo. Isso acontece por diversos fatores:

  • Desigualdades sociais
  • Dificuldade de acesso aos serviços de saúde em algumas regiões
  • Falta de informação
  • Estigma e preconceito, que ainda afastam pessoas do diagnóstico

A presença de casos em crianças e de pessoas já com incapacidades físicas no momento do diagnóstico indica que a doença continua sendo transmitida silenciosamente na comunidade.

O papel da Atenção Primária e do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde desenvolve estratégias importantes para o controle da hanseníase, como:

  • Capacitação de profissionais da Atenção Primária à Saúde
  • Busca ativa de casos e avaliação de contatos familiares
  • Tratamento gratuito e acompanhamento contínuo
  • Campanhas de conscientização e combate ao preconceito

A Atenção Primária é a principal porta de entrada para o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento das pessoas com hanseníase.

Informação salva vidas e evita sequelas

Falar sobre hanseníase é um ato de cuidado coletivo. Ao reconhecer os sinais precocemente, buscar atendimento e orientar familiares e amigos, é possível interromper a transmissão, evitar incapacidades e reduzir o impacto da doença na vida das pessoas.

Hanseníase não é castigo, não é vergonha e não é sentença.
É uma doença como qualquer outra — com tratamento, cura e direito ao cuidado.

Se você ou alguém da sua família apresenta manchas na pele com perda de sensibilidade, procure a unidade de saúde mais próxima. O diagnóstico precoce faz toda a diferença.

Cuidar da saúde é um direito de todos. Informação também.

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