Jair da Costa: das chuteiras da Cobrasma a um reinado de ouro na Europa que o vê melhor que Garrincha

Colunistas Destaque Esportes Márcio Silvio

A vida dele foi toda em Osasco, mas era julho de 1940 quando Jair da Costa nascia em Santo André. Cresceu numa época em que o futebol era uma constelação e sonhava ser uma dessas estrelas. Aos 18 anos e há dez vivendo em Osasco, ele dava os primeiros chutes rumo a esse sonho ao assinar com a Portuguesa. No Canindé, o garoto jogava com outro craque osasquense, Tony Marchetti – um era finalizador, outro era um armador.

E tipo furacão, o acesso do goleador foi mesmo impressionante porque em 1962 e com 22 anos já estava na seleção brasileira. Fato, os mais antigos apontam que Jair da Costa só não foi titular porque um gênio vestia a camisa 7, Garrincha.

No entanto, mesmo à sombra desse gigante o futebol do ponta de Osasco chamou atenção de olheiros do Milan, só que Jair da Costa seria reprovado nos testes físicos; rejeitado pelo clube de Milão, assinaria com a rival direta, a Internazionale, ao peso de US$200 mil. Uma aposta seca da Inter e que resultaria num casamento de dez anos com tetracampeonato italiano, bi da Copa dos Campeões e um Mundial de Clubes em 1964 e 65.

A Inter levantou o segundo caneco da Copa dos Campeões em cima do Real Madrid que tinha Gento, Puskás, Di Stéfano e Santamaria; no Mundial em 1965 contra o Benfica de Eusébio, Coluna e José Torres, a Inter foi campeã como Jair da Costa assinando o gol do título.

O osasquense Jair da Costa jogou dez anos na Inter de Milão da Itália entre 1962-72

O moço de Osasco reinou jogando na Itália com Giacinto Fachetti, Sandro Mazzola, Luís Suárez, Armando Picchi e Tarcísio Burgnich, Corso, Bonisegna entre tantos outros craques sob comando do técnico Helenio Herrera. Depois de se consagrar na Inter, em 1967 foi para curta passagem na Roma.

A história da Inter grifa Jair da Costa como o melhor ponta de todos os tempos no clube – após arejar na Roma, voltaria para o clube do coração onde ficaria até 1972. Nesse mesmo ano voltaria ao futebol brasileiro e para ser campeão paulista pelo Santos em 1973, aquela final embolada e título dividido com a Portuguesa.

Jair também jogou na equipe do Santos durante três anos entre 1972-74

Jair da Costa jogou com Cejas, Carlos Alberto, Marinho Perez, Vicente e Turcão; Clodoaldo, Brecha, Eusébio, Pelé e Edu. Depois partiria para o Canadá e onde lesionou gravemente o joelho pelo Windsor Star – era 1976 quando o herói da Inter pendurava as chuteiras.

Chuteiras de Osasco
Em 1948 a família de Jair da Costa deixa Santo André para o Km 21 na zona Sul de Osasco. Sempre apaixonado pelo futebol, aquele moleque de 8 anos logo foi conhecendo todos os campos da várzea da cidade e, claro, também ia sendo conhecido pela habilidade como ponta.

A Companhia Brasileira de Material Ferroviário era a grande marca industrial de Osasco e o jovem não demorou para arrumar emprego lá. Sim, rolava futebol nos fins de semana e Jair da Costa passou a detonar como goleador pelo time da Cobrasma. O garoto foi tão monstro que os boleiros insistiram para que ele fosse fazer teste na Lusa.

Em 1976, Jair da Costa pendurou as chuteiras após uma grave lesão no time canadense do Windsor Star

Era 1958 quando Jair da Costa se apresentava no Canindé, história já contada. Hoje, as chuteiras estão em algum cantinho da bela casa onde ele mora no centro de Osasco. Mas por ele ter atuado por muitos anos fora do Brasil, tem o nome sem muitas referências no futebol daqui. No entanto, na Europa o assunto é outro quando se fala em Jair da Costa, considerado melhor que Garrincha. E por que?

Porque o camisa 7 do Brasil se consagrou no Maracanã e com a seleção; já o 7 da Inter encantou todo mundo europeu por uma década. Sim, naquela época o futebol não era globalizado e o torcedor tinha pouco acesso sobre o que rolava fora do Brasil. Então, aqui era Garricha; na Europa era Jair da Costa.

Resumindo os números dele, foram 260 jogos para 69 gols; oito títulos na conta. Por isso, até hoje e aos 80 anos, ele é celebrado pela Inter e recebe homenagens anualmente.

CLUBES E TÍTULOS

• Portuguesa 1960-62
• Inter de Milão 1962-72
• Roma 1967-68
• Santos 1972-74
• Windsor Star 1974-76
• campeão paulista
• tetracampeão italiano
• bicampeão da Copa dos Campeões
• campeão Mundial de Clubes
• campeão Copa do Mundo 1962

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