Policiais são presos por suspeita de cobrar propina para liberar cargas na Grande SP

Capa Plantão Policial

Operação Merx prende policiais e faz buscas em delegacias da região

Três policiais civis foram presos preventivamente nesta sexta-feira (28) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da Polícia Civil contra um suposto esquema de cobrança de propina para liberar cargas irregulares de celulares e outros produtos eletrônicos.

Batizada de Operação Merx, a ação atingiu diferentes cidades da Grande São Paulo, incluindo Barueri, Cotia, Santana de Parnaíba, Embu das Artes, Taboão da Serra e Diadema.

Entre os 18 endereços onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão estão a Delegacia de Santana de Parnaíba, a Delegacia de Embu das Artes e o 2º Distrito Policial de Cotia.

Cinco pessoas foram presas durante a operação

A Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva, sendo quatro contra policiais civis. Até a última atualização, cinco pessoas haviam sido presas: três policiais, um advogado e um empresário apontado como intermediário do grupo no Paraná.

Um dos investigados estaria no Paraguai e era considerado foragido. Outro policial civil continuava sendo procurado.

As prisões e buscas foram realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Corregedoria e do Departamento de Operações Estratégicas da Polícia Civil (Dope).

Investigação aponta cobrança de 70% das cargas

Segundo a investigação, policiais interceptavam cargas de eletrônicos de origem irregular e, em vez de apreender toda a mercadoria, exigiam pagamentos para liberá-la total ou parcialmente.

Os valores cobrados chegariam a aproximadamente 70% do preço das cargas. Em pelo menos quatro episódios investigados desde 2024, o suposto esquema teria movimentado cerca de R$ 2,35 milhões em propina.

Um advogado é apontado como responsável por intermediar as negociações entre policiais e empresários. Ele teria indicado contas bancárias para os pagamentos e participado da devolução das mercadorias.

O Ministério Público também investiga a possível utilização de delegacias para armazenar produtos e simular apreensões parciais, conferindo aparência de legalidade às ações do grupo.

Policial do 2º DP de Cotia é afastado

Um investigador de primeira classe lotado no 2º Distrito Policial de Cotia não teve a prisão decretada, mas foi afastado da função pública.

O policial também teve as credenciais de acesso aos sistemas da corporação recolhidas e ficou proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas.

De acordo com a apuração, foram identificados 13 acessos realizados com o login funcional do investigador ao sistema Muralha Paulista/Cortex. As consultas estavam relacionadas a um veículo que teria sido utilizado em um dos episódios investigados.

A suspeita é de que o sistema policial tenha sido usado para monitorar um caminhão ligado às cargas irregulares.

Justiça determina bloqueio de até R$ 4 milhões

Além das prisões, buscas e afastamentos, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos dos investigados e determinou o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens.

Os mandados também foram cumpridos na capital paulista, em São Sebastião, Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná, e São Luís de Montes Belos, em Goiás.

A investigação apura possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As defesas dos investigados não haviam se manifestado até a última atualização da reportagem. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

Com informações do g1.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *