
Que estamos na era das proteínas, isso não é novidade. Hoje é possível encontrar esse macronutriente em praticamente tudo: pipocas, sorvetes, barrinhas, bebidas lácteas proteicas, cafés, e já estão até inventando vinho com proteína. Ao longo da história, sempre houve a supervalorização de algum nutriente e a demonização de outro. Agora é a vez da proteína, antes disso, por exemplo, na década de 60, o foco estava nas gorduras e nos carboidratos e sua relação com as doenças cardíacas. Farinha branca, açúcar e gordura eram os vilões. Isso se reflete até hoje, frequentemente chamamos o HDL de “colesterol bom” e o LDL de “colesterol ruim”, reforçando essa visão simplificada que associa, de forma direta, gorduras saturadas a desfechos negativos, como o aumento do LDL.
Entretanto, na área da nutrição, a cada momento surge uma teoria, estudo e produto novo, acompanhados de dicotomias que reduzem a alimentação a listas do que “faz bem” ou “faz mal”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo médio de fibras no Brasil é baixo: recomenda-se cerca de 25g por dia, enquanto o brasileiro ingere, em média, apenas 10g. Essa deficiência pode prejudicar o funcionamento intestinal e aumentar o risco de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, hipertensão e diabetes.
Diante desse cenário, a indústria encontrou um novo nicho. Guaraná Antarctica Zero com Fibras, agora com um apelo funcional: uma bebida sem açúcar, agora acrescida de fibras. A proposta é trazer um apelo saudável para um produto ultraprocessado, tradicionalmente visto como não saudável, exatamente o que já fazem ao adicionar as proteínas em vários itens do mercado.
O que isto mostra é que cada época terá o seu hype nutricional. Na lógica da indústria, os alimentos passam a ser apenas veículos de nutrientes isolados, facilmente intercambiáveis, e não parte de um padrão alimentar. Essa visão reducionista se traduz em práticas igualmente simplificadoras no desenvolvimento de produtos, como já acontece com os produtos enriquecidos com nutrientes específicos e suplementos nutricionais. Você deixa de beber leite para consumir uma “bebida proteica”, e agora, com a onda das fibras, corre-se o risco de as pessoas reduzirem ainda mais o consumo de alimentos in natura, como frutas, vegetais, feijão e aveia, naturalmente ricos nesse nutriente, para simplesmente “tomar fibras”. Vale lembrar que, por não fazer parte da mesma matriz alimentar, uma fibra adicionada não desempenha o mesmo papel da fibra presente em alimentos integrais.
No fim das contas, todo esse movimento cria uma névoa que nos afasta do que realmente importa quando falamos de alimentação saudável. Afinal, o simples não vende. E a comida de verdade, aquela que nasce e cresce da terra, não gera tanto lucro quanto os produtos ultraprocessados com os seus rótulos chamativos.
No meu acompanhamento nutricional, a comida de verdade é a base de tudo. Se você busca cuidado, qualidade de vida, sem extremismos, venha comigo. Me segue no instagram @prysnutri.

