Um centro para cada bairro

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Por – Eliabe Visa

Tenho reparado, pelas cidades por onde passo, principalmente nas grandes metrópoles, que uma transformação vem acontecendo aos poucos.
Os bairros estão criando os seus próprios centros.
Na infância e na adolescência, muita coisa exigia uma ida ao centro da cidade. Era lá que estavam as lojas, os bancos, os consultórios, os escritórios e boa parte dos serviços.
O centro era destino.
Hoje, basta ouvir alguém dizer:
“Vou ali no centrinho.”
E esse centrinho pode estar a poucas quadras de casa.
Uma avenida mais movimentada. Uma sequência de lojas. Um supermercado. Uma farmácia. Um restaurante. Um consultório.
Aos poucos, aquilo que antes exigia um deslocamento maior começa a aparecer dentro do próprio bairro.
Em alguns lugares, isso acontece de forma planejada. Empreendimentos reúnem supermercado, academia, farmácia, alimentação, serviços e outros negócios no mesmo espaço.
Tudo mais perto.
E talvez seja justamente essa proximidade que explique parte dessa transformação.
Menos tempo no trânsito. Mais facilidade para resolver a vida. Mais movimento nas ruas do próprio bairro.
Mas essa história não começou agora.
Muito antes de se falar em centralidade de bairro, as periferias já organizavam a vida ao redor da quitanda, da mercearia, da padaria, do bar.
Era ali que se comprava o necessário, encontrava-se alguém conhecido e ficava-se sabendo das novidades.
Comércio.
Encontro.
Convivência.
Hoje, novos estabelecimentos ocupam parte desse espaço. As adegas, por exemplo, em muitos bairros, deixaram de ser apenas lugares de compra e passaram a funcionar também como pontos de encontro, lazer e convivência, especialmente entre os mais jovens.
A rua continua encontrando maneiras de se movimentar.
E talvez seja esse o aspecto mais interessante.
Quando comércio, serviços e trabalho começam a se aproximar de onde as pessoas moram, o bairro deixa de ser apenas lugar de passagem entre a casa e o restante da cidade.
Ele ganha vida própria.
O dinheiro circula mais perto. Pequenos negócios encontram espaço. Novas oportunidades aparecem.
E o morador passa a resolver uma parte maior da própria vida sem precisar atravessar a cidade.
Ainda existe muito potencial para isso.
Quantos empregos poderiam nascer dentro dos próprios bairros?
Quantos pequenos negócios poderiam crescer?
Quantas horas poderiam deixar de ser gastas no deslocamento?
Talvez desenvolver um bairro não seja apenas construir mais.
Seja também criar condições para que as pessoas possam viver mais perto daquilo de que precisam.
O centro não desapareceu.
Está se espalhando.
Um bairro de cada vez.

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