Eu mereço

Colunistas Pryscila Souza
Por – Pryscila Souza

Imagine você, voltando para casa de metrô, depois de um dia exaustivo de trabalho, sabendo que ainda tem um longo caminho pela frente e que vai demorar pelo menos duas horas até chegar. O metrô, com vários estímulos olfativos e visuais, de alimentos ultraprocessados, praticamente te convida ao consumo. No meio deste cenário, você pensa na falta de tempo, na fome que já está grande, e acaba optando por comer algo ali mesmo. Para se sentir melhor com a decisão, surge o pensamento: “Hoje, eu mereço!”

Provavelmente, o alimento escolhido é rico em gordura, açúcar e/ou sal. Ingredientes que vão te oferecer um prazer imediato. E diante do cansaço acumulado, a comida acaba assumindo o papel de recompensa emocional. Talvez essa escolha tenha sido impulsiva, mas a falta de tempo, o ambiente, a fome, favoreceram esse caminho. E assim, muitas vezes, o estresse é canalizado para a comida.

O problema não está em fazer escolhas como essa ocasionalmente, mas quando este padrão se torna frequente. Manter uma alimentação equilibrada é fundamental para a saúde, mas é importante observar quantos “eu mereço” aparecem na sua semana.

Uma das reflexões que abordo nas minhas consultas, é justamente esse “merecer”. Muitas vezes, ele é na verdade, uma necessidade de pausa, descanso, cuidado, acolhimento. E nem sempre a comida precisa ocupar esse lugar. Podemos redirecionar essa necessidade para outros tipos de cuidado. E é justamente aqui que entra o próximo ponto: para conseguir fazer escolhas mais alinhadas ao que você precisa, é fundamental um pouco de organização. Nada complexo, apenas o suficiente para não ficar totalmente refém do ambiente e da urgência do momento.

Ter algo na bolsa pode fazer toda a diferença. Frutas práticas, maçã, mexerica,ou pera, ajudam a lidar com a fome real sem que você se renda às opções disponíveis ao redor. Outra alternativa, são as oleaginosas, amendoim, nozes e castanhas, que funcionam como lanches rápidos e podem evitar decisões impulsivas nesses momentos.

Após comer esse lanche, pergunte-se: a fome passou? É realmente vontade de algo específico ou não? Se você consegue identificar exatamente o que deseja, honre essa vontade e coma com presença. Mas, se for apenas aquele pensamento difuso de “queria algo gostoso”, vale parar e pensar em outras ações que também podem te trazer bem-estar, e assim direcionar o estresse para outro lugar. Pode ser ouvir uma música, ler um livro, conversar com uma amiga, ou até passar um creme cheiroso para sentir um conforto imediato.

Quando você se reconecta com o corpo e identifica o que está sentindo e o que realmente precisa, a comida deixa de ser a única resposta para o estresse do dia e passa a ser uma parte importante do seu cuidado, mas não exclusiva. Que neste final de semana você consiga fazer pequenas pausas, organizar o que for viável, e principalmente, ter um momento de autocuidado.

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