Lentes distintas e opostas

Vivemos em um país de mais de 210 milhões de habitantes – o 5° mais populoso do mundo – e com tamanha diversidade de pessoas e culturas instaladas em um mesmo país, nos deparamos com a triste realidade das mazelas que afetam diretamente a população brasileira.

Temos como exemplo que, 48% da população não possui coleta de esgoto, 35 milhões de pessoas não tem acesso água potável (número próximo da população do Canadá), 59% das escolas do ensino fundamental não possuem rede de esgoto e 289 mil pessoas foram internadas por diarreia e doenças da falta de saneamento em 2017 (Dados extraídos do Censo e SNIS 2017).

O desemprego no Brasil já estava alto no primeiro trimestre deste ano, com a chegada da pandemia do novo corona vírus, essa taxa só aumentou. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego passou de 11% no fim de 2019 para 12,2% no trimestre encerrado em março de 2020. Como resultado, a perda de vagas só nesses dois meses (março e abril de 2020), passou de 1,1 milhão. Só no mês de abril foram cortadas 860.503 vagas.

Sabemos de tal complexidade, só não entendemos a inexistência de políticas públicas e ações civis com mais responsabilidades e dignidade a todos os brasileiros. Estamos passando por um colapso nas relações intra e interpessoal, e não podemos sequer imaginar o não cuidar de si e do outro, seja no ambiente doméstico, escolar e organizacional.

Precisamos romper as ações estritamente competitivas advindas do século passado que fragmentou ainda mais o elo entre as pessoas, e trazer um olhar apreciativo que estimule a colaboração, gerando a cultura do bom convívio – saber que podemos contar um com os outros.

São experiências de redescoberta de mim, do outro e do espaço. Pessoas tem lentes distintas, por vezes, até opostas, portanto, a fragmentação é coisa do século passado, o momento é de integralidade.

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