Mania do milhão

Colunistas Oscar Buturi

Desde garoto ouço que Osasco tem um milhão de habitantes. Alguns ousam dizer que tem mais. Lembro que, ainda na adolescência, quando comecei a interessar-me pelas questões urbanas, principalmente a realização de obras públicas relevantes, instalação de grandes empresas e outros empreendimentos, já se dizia que a Osasco crescia demais e, certamente, já teria ultrapassado a casa do “milhão”. Durante uma parte da juventude, nos idos de 1990, pude testemunhar a alteração no perfil da economia municipal, mudando de industrial para a predominância do comércio e serviços. Enquanto saíam as antigas fábricas que tanto colaboraram para o desenvolvimento regional e nacional, desembarcavam por aqui grandes conglomerados comerciais, como os centros de compras (shopping centers, hipermercados e home centers). Osasco fervia desde os tempos do movimento autonomista, nos anos 1950, depois com as manifestações estudantis e sindicais nas décadas de 1960/70. Entre as décadas de 60 a 80, enquanto as chaminés das fábricas cuspiam fumaça, nas portas das fábricas o vai e vem de operários ditava o ritmo da polis. Os toques do tradicional apito (de navio) da Cobrasma, símbolo municipal perdido no tempo, era como uma trilha sonora, um “som ambiente” de toda aquela urbanidade. A intensa atividade econômica atraía levas de novos moradores, especialmente migrantes, e o território se transformava com a paisagem cada vez mais cinzenta. Os instrumentos de planejamento e controle urbanos eram insuficientes para os loteamentos que se multiplicavam. Até hoje temos dificuldades, imagine naquela época! O meio ambiente sofria, mas poucos davam importância ao tema. A “mania do milhão” (de habitantes) talvez tenha sido induzida por esse dinamismo e movimento demográfico que marcaram o município por décadas. Como resultado temos uma das cidades com maior concentração populacional do país e inúmeros problemas e desafios. São apenas 65 km² para os 696.850 habitantes (população estimada 2018 – IBGE) ou seja, mais de 10.200 pessoas por quilômetro quadrado. É muita gente dividindo o mesmo espaço. Mas ainda distante do tal milhão.

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