Mobilidade periférica

Na última semana, ao tratar do crescimento e importância de algumas áreas da cidade de Osasco, com o texto “Desenvolvimento Periférico”, acabei recebendo inúmeras manifestações de amigos e leitores. Todos, sem exceção, concordam com o fato de que o progresso de alguns centros comerciais colaboram com desenvolvimento local e aumento da qualidade de vida. Uma crítica, porém, também foi unânime, e tem relação direta com a mobilidade. Se, por um lado, as alternativas de compras no bairro desestimulam a ida ao centro, por outro o trânsito na periferia fica bastante comprometido.

Como é sabido da maioria, essas áreas periféricas cresceram à margem do planejamento e controle públicos. E em todo lugar que isso ocorre, a própria dinâmica social se encarrega de estruturar a ocupação do solo de acordo com as demandas e necessidades de seus habitantes. Com o passar do tempo, enquanto imóveis residenciais se transformaram em comerciais, ruas de circulação local tornaram-se vias de passagem e receberam linhas de ônibus.

Junte-se a essa realidade o fato de as construções comerciais serem desprovidas de recuo frontal, assim, uma faixa inteira do leito carroçável é utilizada para estacionamentos, sobrando pouco para a circulação geral. O município de Osasco está entre os cinco mais adensados do país, que é uma relação entre número de habitantes por quilômetro quadrado. São quase 700 mil moradores em apenas 65/km² totalmente urbanizados. A frota municipal já atingiu os 485 mil veículos, segundo dados da prefeitura. Os investimentos imobiliários estão em toda parte e a paisagem urbana se transforma com o surgimento de muitos edifícios residenciais. E a malha viária é antiga, tímida e não atende às atuais necessidades. Esse conjunto de fatores, dentre outros, é revelador de como a situação está ficando insustentável do ponto de vista da mobilidade. A sinalização de trânsito, cuja finalidade é organizar e ordenar a circulação de pedestres e veículos, até existe nos bairros, mas é muitas vezes ignorada por boa parte dos usuários.

E uma das maiores dificuldades da administração é justamente a fiscalização nessas regiões, uma vez que sua energia se concentra nas áreas centrais, onde o desafio é ainda maior. Por essas e outras razões, a importância de a prefeitura e a sociedade civil olharem com carinho ainda maior para essas áreas estratégicas.

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