Operação Crédito Oculto tem quatro alvos em Barueri

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Nova fase da investigação apura estruturas financeiras suspeitas de ocultar patrimônio e recursos usados na compra de uma distribuidora de combustíveis

Barueri está entre as cidades com alvos da Operação Crédito Oculto, deflagrada na quinta-feira (24) como desdobramento da Operação Carbono Oculto. Segundo informações divulgadas pela Receita Federal, quatro alvos estão localizados no município, sendo uma pessoa física e três pessoas jurídicas.

A investigação apura indícios de ocultação patrimonial e dissimulação da origem de recursos utilizados para a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

A operação é realizada pela Receita Federal, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, pela Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.

As diligências também contam com o apoio dos Gaecos do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Os mandados estão relacionados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas distribuídas por sete Estados.

Alvos em Barueri

O Estado de São Paulo concentra a maior parte dos alvos da operação. São 18 na capital, quatro em Barueri e um em cada uma das cidades de Cotia, Guarulhos, Paulínia e São José dos Campos.

Os demais alvos estão localizados no Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

A presença de pessoas ou empresas entre os alvos de mandados de busca e apreensão não representa condenação. As responsabilidades individuais ainda são apuradas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Estrutura financeira investigada

De acordo com a Receita Federal, a primeira estrutura investigada teria sido criada para ocultar os verdadeiros controladores de uma usina sucroalcooleira localizada no interior paulista.

Embora a titularidade formal estivesse dividida entre fundos de investimento e empresas aparentemente independentes, os investigadores suspeitam que o modelo permitia preservar o controle econômico sem revelar os beneficiários finais.

Um dos negócios analisados envolve aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Parte dos recursos empregados na operação teria se originado de fundos controlados pelo próprio grupo investigado.

Para os investigadores, o mecanismo pode ter criado um fluxo financeiro circular com aparência de operação regular, dificultando a identificação dos responsáveis pelos recursos.

Aquisição de distribuidora

Em outra etapa, a estrutura financeira teria sido utilizada para viabilizar a aquisição de uma distribuidora de combustíveis.

Segundo a investigação, aproximadamente R$ 100 milhões teriam sido enviados à usina para financiar a operação. Antes de chegar ao destino, o dinheiro teria circulado por diferentes empresas e contas utilizadas como passagem.

Posteriormente, os valores teriam sido direcionados a um fundo criado para participar da aquisição da distribuidora. A apuração identificou ainda o uso de fintechs, fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, banco, escritório de advocacia e companhias apontadas como empresas de fachada.

Fundos imobiliários também são investigados por supostamente concentrarem imóveis relacionados aos envolvidos, mantendo os bens fora da titularidade direta e dificultando o rastreamento do patrimônio.

Movimentação bilionária

Uma das empresas financeiras envolvidas nas operações movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.

Segundo a Receita Federal, o volume financeiro, analisado em conjunto com outras evidências, reforçou os indícios de ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de dinheiro.

As investigações continuam para identificar os beneficiários das operações, esclarecer a origem dos valores e determinar a participação de cada pessoa física ou jurídica envolvida.

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