
Você se lembra quando foi a primeira vez que se sentiu insatisfeita com alguma parte do seu corpo ou da sua aparência? Pois é, eu também não lembro. Mas também não me recordo da primeira vez que alguém comentou sobre o meu corpo.
Desde criança, sempre tive um biotipo mais próximo da magreza. Inclusive, na infância, meu pediatra indicou medicamentos para aumentar o apetite e, consequentemente, melhorar minha evolução de peso e altura.
Uma das coisas que costumavam comentar era que eu tinha as pernas finas. Chamavam de “cambito de sabiá”. Lembro que, na pré-adolescência, por volta dos 11 ou 12 anos, eu queria ter seios e glúteos maiores. E, obviamente, eu não era a única. Entre amigas, fofocávamos sobre meninas que colocavam papel dentro do sutiã. Na minha família, existia até o boato de que beber água em uma concha ajudava os seios a crescerem.
Desde muito cedo, escutamos comentários sobre os nossos corpos. E a maioria deles não está relacionado ao que o corpo é capaz de fazer, mas à sua aparência. Crescemos experienciando o corpo de diferentes formas, e a nossa imagem corporal vai sendo construída a partir de percepções, pensamentos e sentimentos e do que escutamos ao longo da vida. O problema é que, quando essas mensagens são negativas, aprendemos a não gostar do próprio corpo. Aprendemos a ver mais os defeitos do que as qualidades, e buscar mudanças constantes e a nunca nos sentirmos satisfeitas. É neste contexto que surge a insatisfação corporal.
A insatisfação corporal é a discrepância entre o corpo ideal e o corpo percebido. Consiste em ter uma ideia real do corpo, a pessoa reconhece seu tamanho e características, porém não gosta de como ele está no momento. Muitas vezes, o corpo real parece muito distante daquele considerado ideal, gerando tristeza e frustração.
Hoje a insatisfação corporal é uma realidade para muitas mulheres e, cada vez mais comum em meninas e crianças. O problema se torna ainda maior quando essa insatisfação evolui para uma distorção de imagem. Nesse caso, a pessoa passa a se enxergar de maneira diferente da realidade, normalmente supervalorizando peso, medida ou determinadas partes do corpo.
A pressão cultural pela magreza, os sentimentos negativos em relação ao corpo, a disparidade entre o corpo real e o idealizado e a insatisfação corporal podem ser gatilhos para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Afinal, uma das formas de tentar modificar o corpo é por meio da alimentação. É justamente por isso que tantas mulheres recorrem às dietas na tentativa de alcançar um padrão estético.
Mas existe um ponto importante que muitas vezes passa despercebida: nenhuma mulher nasce odiando o próprio corpo. Esse é um aprendizado construído ao longo da vida.
Por isso, é importante pensarmos: será que você realmente não gosta do que vê no espelho ou aprendeu, em algum momento da sua história, que não deveria gostar?

