Serei o testemunho vivo do milagre de Deus na minha vida e da minha esposa


Rogério e Aline Lins deixaram o Hospital Antonio Giglio após passarem 12 dias internados. O casal deu entrada no hospital no dia 28 de junho, após sofrerem um grave acidente com fogo, provocado por uma forte explosão ao acenderem a tradicional fogueira do Arraiá do Servidor.


 

Em entrevista após ter alta do hospital, o prefeito Rogério Lins disse acreditar que foi um acidente o que aconteceu com ele “Eu não quero acreditar que houve dolo, que alguém teve intenção de provocar isso, quero acreditar que foi um acidente”

Como foram os dias após a explosão?
Eu nunca tinha passado tanto tempo ao lado da minha esposa. Nós convivemos com momentos de dor e reflexão, mas a energia que vinha de fora era muito grande. Era o combustível para nossa recuperação. Nós não somos nada na vida. Uma fração de segundo pode tirar a nossa vida. Quero agradecer ao povo de Osasco. Eles foram sensacionais. As pessoas do Brasil e do mundo inteiro. Recebemos fotos de pessoas em igrejas Adventistas, capelas, em vários lugares do mundo.

Depois deste acidente o Arraial do Servidor vai acabar?
É uma festa que acontece há 16 anos na cidade. É tradicional em Osasco. Não tenho informações sobre a documentação do local. O meu pessoal me blindou sobre isso. Para eu me concentrar na minha recuperação. Nunca aconteceu acidente nesta festa. A minha maior preocupação era com as pessoas. Se alguém tinha se machucado. O evento tinha estrutura, tinha brigada de incêndio e Ambulâncias. O formato do evento é maravilhoso, é solidário. O arraial não vai parar. Vamos rever algumas coisas.

A rapidez no atendimento ajudou?
Eu posso afirmar que o rápido atendimento salvou nossas vidas, imediatamente os procedimentos foram realizados, nós chegamos com um nível de sujeira no corpo assustador. Eram ferimentos com muita sujeira. Se nós tivéssemos procurado um hospital mais longe, nós teríamos problemas gravíssimos.

Essa lesão poderia ter sido bem mais grave?
Quando a gente vê o vídeo é muito forte, a explosão foi muito forte. A temperatura foi insuportável. A temperatura era de 800 graus. Eu fiquei calmo e tentava acalmar a Aline. Foi um milagre, milagre não se explica, se testemunha. Eu vou ser para sempre o testemunho vivo do milagre que Deus fez na minha vida e da minha esposa. Onde eu for, eu quero transmitir esse testemunho. Nós temos que ter fé, independente da religião de cada um. Deus é capaz de transformar algo que poderia ser fatal em um episódio de fé e superação como foi o nosso.

As filhas de vocês que acenderiam a fogueira neste ano?
Elas foram no carro pedindo para acender a fogueira, um amigo inexplicavelmente na porta da fogueira, chamou as duas para ir na pescaria. São provas que Deus tem um propósito muito grande com a nossa família.

E como foi o reencontro com elas depois do acidente?
As minhas duas filhas são muito apegadas a mim. Eu sentia muita falta delas. Tenho algumas manias com elas, como por exemplo, rezar antes de dormir. Cada um desses detalhes fazem falta. Ao mesmo tempo que queríamos recebe-las, nós não queríamos assustá-las. Eu disse para a minha esposa que precisávamos revê-las, pois elas usam “google” e vão saber o que tinha acontecido conosco. Elas entraram no nosso quarto aqui no hospital. A mais velha olhou para mim e começou a chorar muito. Ela disse: “Você está muito feio de barba”. Aí deu um alívio. Ela disse também que a minha testa fica muito grande com o cabelo curto. Ela disse: “Estou muito feliz que papai do céu atendeu minhas orações. Porque eu sei que você queimou 15% do seu corpo e a mamãe 8%. O que aconteceu, não adiantava o pessoal ficar me enganando, pois eu pesquisei tudo.”

Mesmo internado, o senhor estava despachando?
Desde quando o meu dedo começou a se movimentar, eu já comecei a interceder pela cidade, Osasco não pode parar. Eu pedi uma coisa para os secretários, que transformasse esse sentimento de solidariedade com a nossa recuperação em ainda mais trabalho pela cidade. Eles fizeram muito bem feito a lição de casa, todos estão trabalhando à todo vapor. Eu estou com algumas restrições ao sol, mas eu não posso parar.

 

“Eu só tenho a agradecer a Deus por nossas vidas”, diz Aline

“Eu estou um pouco mais abalada. O Rogério é mais forte que eu. Eu só tenho a agradecer a Deus pelas nossas vidas, por ele permitir que ficássemos mais tempo com vocês. Agradecer a toda a equipe do hospital, aos médicos, aos enfermeiros, as moças da copa e da limpeza. Quero agradecer ao meu marido, ele me deu muita força, desde o início. Pois eu entrei em desespero, eu vi a morte de perto. A dor era insuportável. Eu desmaiei de dor. Sempre que eu voltava das sedações, o Rogério estava ao meu lado, me acalmando, foram dias difíceis para mim. Além do lado emocional, tem o lado estético, eu sempre fui muito vaidosa. Me preocupei muito, a minha filha até brincou comigo, disse que eu fiquei mais bonita com o cabelo mais curto. Tudo isso me deu mais motivação. As orações e as vibrações positivas foram fundamentais, eu nunca imaginei o tamanho do carinho que as pessoas tinham por mim e pelo Rogério. Eu continuo abalada, mas estou bem mais forte do que do dia que eu entrei. A maior preocupação era que não tivesse machucado outras pessoas.”

 

Tragédia transformada em solidariedade

Rogério aproveitou para iniciar uma campanha de doação de sangue e cabelos.
O meu sangue é “O” negativo, eu posso doar para qualquer pessoa, mas não posso receber qualquer um. Eu e minha esposa não precisamos de bolsas de sangue. Mas nós sabemos como estão os estoques nos Hemocentros. Vamos fazer uma grande campanha de doação de sangue, vou fazer isso na prefeitura. Para abastecer os bancos de sangue regionais. Eu conversei com minha esposa. E vamos também, fazer uma campanha para doação de cabelos, foi uma dica do nosso amigo Fabio Teruel. Nós queremos fazer no Fundo Social e um banco de cabelos para pessoas que têm problemas com câncer, queimaduras e alopecia (queda de cabelos).

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