
Recentemente, em uma conversa com uma amiga, recebi um conselho que reflete bem os dias de hoje: “Alê, se você conseguir um influencer para divulgar seu projeto, ele vai bombar.” E, assim, nos vemos cada vez mais dependentes desses formadores de opinião digitais.
Mas será que toda boa história precisa de milhões de seguidores para brilhar? A resposta pode estar em um cantinho mais tranquilo: você sabia que uma professora aposentada e seu companheiro andam espalhando, lá na quebrada da roça e nas vielas rurais, histórias que pouca gente conhece? Pois é, não é fofoca das redes sociais, nem está na boca de influencers ou tiktokers. É uma trama genuína — e que merece ser contada!
Então, prepare-se para mergulhar nesse conto cheio de sabedoria e encantamento, e descubra como histórias singelas ainda têm o poder de surpreender e emocionar, muito além dos algoritmos.
Senta aí, que eu vou te contar!

Entre malas cheias de fantoches, máscaras coloridas e lenços esvoaçantes, a professora aposentada Socorro Lacerda de Lacerda, acompanhada de Lúcio Lacerda, leva às escolas rurais do interior do Brasil algo que não se compra nem se mede: o poder transformador das histórias. O projeto “Conte lá que eu conto cá” nasce da memória afetiva de uma infância sertaneja e se transforma hoje em uma ponte entre gerações, saberes e sonhos.

A inspiração vem das noites de lua cheia no sertão da Paraíba, quando o pai de Socorro, mesmo sem saber ler, encantava os filhos com histórias de reis, princesas, bruxas e heróis. Foi ali, nas calçadas iluminadas pela lua e pelo afeto, que ela aprendeu o valor de uma boa narrativa — lição que carregou por toda a vida e por sua trajetória como educadora.
Agora, aposentada, Socorro transforma lembranças em ação social. Seu projeto tem como público-alvo alunos e alunas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental de escolas da zona rural — lugares onde, muitas vezes, a escola é o único espaço de contato com livros e cultura.
Mais do que uma atividade lúdica, “Conte lá que eu conto cá” é um ato de resistência cultural. Ao narrar histórias e ouvir as das próprias crianças, Socorro busca resgatar a oralidade, a imaginação e a afetividade em tempos de tecnologia e distanciamento humano. “Contar e ouvir histórias é uma forma de aprender, sonhar e compartilhar emoções”, explica.

O projeto inclui apresentações interativas, com o uso de fantoches, tapetes, máscaras e colchas de retalhos, seguidas de rodas de conversa para troca de experiências. As crianças são convidadas não apenas a ouvir, mas também a contar suas próprias histórias — muitas das quais serão reunidas em uma coletânea ao final das atividades.
Em cada escola visitada, é deixado um kit de livros infantis, fortalecendo o direito à leitura previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ampliando o acesso ao universo literário em regiões que muitas vezes não contam sequer com uma sala de leitura.

A proposta também provoca uma reflexão sobre as desigualdades entre o campo e a cidade. Dados do Censo Escolar de 2014 mostram que apenas 7% das escolas rurais possuem sala de leitura, e muitas carecem até de abastecimento de água. Diante dessa realidade, o projeto se apresenta como um gesto de amor e cidadania — um respiro de arte e esperança onde a cultura da palavra ainda encontra solo fértil.
Mais do que um projeto, “Conte lá que eu conto cá” é um reencontro com a essência da contação de histórias: a palavra que aproxima, que forma e que emociona. É a professora que volta a ser menina, sentada na calçada do sertão, agora levando adiante o mesmo encantamento que um dia ouviu do pai.
E aí, gostou do que eu te contei? Bacana, né?
E caso você — empresa, instituição ou pessoa de bom coração — queira contribuir financeiramente e ser um colaborador do projeto, é só entrar em contato pelo (11) 98154-3185.
Ah, e se conhecer algum influencer, youtuber ou tiktoker… pode contar também. Contamos contigo!
Até a próxima, pessoal!

