Abaixo os muros!

Falar em derrubar os muros das escolas num momento tão sensível, após o massacre de Suzano, na Grande São Paulo, parece um devaneio fora de hora. A invasão da escola Raul Brasil por dois jovens, que provocou a morte de alunos e funcionários, chocou a nação e desencadeou uma série de debates acerca da segurança dos prédios escolares. Essa discussão, entretanto, ultrapassa os limites da segurança pública tal como a maioria a compreende, ostensiva e policialesca. Tem relação direta com a educação emancipadora, capaz de transformar alunos, profissionais e comunidade ao redor. Está ligada a toda uma dinâmica de interação coletiva e construção da efetiva cidadania. Não estou defendendo, simplesmente, a eliminação dos elementos de proteção mínima necessários ao conforto e segurança dos usuários, mas dos altos e sisudos muros de alvenaria, que separam, criam bolhas e guetos. Barreiras que dificultam a comunicação e eliminam a necessária transparência visual, poderosa para produzir segurança. Não através daquela vigilância militar e repressiva, mas, sobretudo, da coletiva e social, acessível quando os olhares alcançam tanto quem está dentro, quanto quem está fora de seus limites. Ao procurar blindar ainda mais nossas escolas, na tentativa de combater a violência urbana com mais trancas e muros, vamos na contramão de uma educação transformadora porque os muros não são apenas físicos, mas simbólicos. Importante destacar que não sou especialista em educação e quero fazer apenas uma provocação. Fazer não, contribuir, porque esse debate já existe há tempos entre os profissionais do setor. E a arquitetura pode e deve contribuir com ele.

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