Donzela de Osasco desafia os bastidores machistas do boxe

O que uma oceanógrafa está fazendo no mundo do boxe? Carolina Viscarra vem causando muito nos bastidores da nobre arte. Primeiro porque está numa praia nada a ver com a formação acadêmica; segundo porque pisa num ringue dominado por caciques guerreiros – sim, a mesa de negociação do pugilismo mundial é de predominância masculina, de homens que decidem os rumos da nobre arte, a partir dos Estados Unidos e Europa, seguindo pelas Américas.
O Brasil reforça essa predominância e a linguagem é própria dos homens. No entanto, agora vem essa donzela para incomodar geral e, ao mesmo tempo, surpreender como habilidosa promotora de boxe. Carol tem 30 anos e, mais que se destacar como manager, vem fazendo um trabalho notável pela valorização dos atletas. Ela responde pela agência Tupi Boxing e conta com muitos lutadores no card encabeçado por Eduardo Reis, que nesse sábado (21) completa 30 anos.
Nos quadriláteros latinos, Edu Reis é aclamado como La Dinamita. É um cara sinistro no jogo da nobre arte e que aventurou-se por títulos na Alemanha, no Cazaquistão e nos Estados Unidos; sim, também foi em busca do título brasileiro dos superpenas. Tinhoso, marrento e durão, Edu Reis segue em rota de colisão constante e conta 24 vitórias e seis derrotas, números que vão aumentar na temporada 2020 e com mais passagens internacionais. “Já estamos conversando para fechar um evento na Argentina”, revela a promotora Carol.
“O Edu deve lutar fora do país, planejamos dois eventos por semestre”, completou a oceanógrafa do boxe que tem outros dois profissionais reforçando a alta competição da Tupi Boxing – dois que no final do mês passado atuaram fora: o carapicuibano Mateus Osório lutou na Estônia, sendo batido pelo finlandês Robert Helenius; no mesmo 30 de novembro, o osasquense Thiago do Carmo estava em Berlim e não conseguiu passar pelo alemão Ferdinand Pilz.
Lutas à parte, o que fica para esses atletas é o profissionalismo com que a oceanógrafa do boxe cuida dos assuntos fora do ringue. “É importante termos uma representação assim”, resumiu Thiago do Carmo e que pode ser visto no sétimo episódio da série Irmãos Freitas (sobre o campeão Acelino Popó) – nessa parte da série, o osasquense é o mexicano Montezuma Sanchez.
O casquento Edu Reis também não economiza ao falar da empresária. Isso até se explica: o fera de Osasco vinha em carreira solo no ringue, ou seja, como lutador independente; então, agora com a carreira gerenciada e por uma mulher, vive uma mudança radical. “A gente quer lutar e ela cuida direito de tudo”. E a donzela, o que diz? Carol sabe das resistências desse boxe machista mas, ainda que bem jovem tem uma visão muito calibrada – usando a linguagem do próprio boxe, ela vai de jabs e não entra de cara com diretos: “Tenho que pensar bem antes de qualquer ação porque a pressão não é pouca.”

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