Janeiro Branco: Falar de saúde mental é urgente

Capa Colunistas Pryscila Souza

Feliz Ano Novo! Quero compartilhar a minha animação em estar aqui com vocês, meus leitores neste ano de 2026. Ah, você não me conhece? Então vamos começar do início: meu nome é Pryscila Souza, sou nutricionista, especializada em Transtornos Alimentares. Atuo no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP e também realizo atendimentos particulares.

Iniciamos o mês de janeiro com uma campanha importante, o Janeiro Branco. Esses dias, eu me peguei pensando em quantas pessoas, fora do meu ambiente de trabalho, no meu contexto familiar e social, eu conheço que fazem uso de algum tipo de medicamento devido a prejuízos mentais, como ansiedade, depressão, insônia, síndrome do pânico, burnout. Aposto que você também conhece alguém que utiliza medicação em razão de alguma condição relacionada à saúde mental.

O Janeiro Branco justamente visa dar luz a esse tema. A campanha mobiliza a sociedade em torno da saúde mental e emocional por meio do diálogo e do cuidado, incentivando as pessoas a falarem sobre emoções, qualidade de vida, sofrimento psíquico, com foco na prevenção. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais, sendo a ansiedade e depressão as condições mais prevalentes.

A alimentação tem papel crucial no bem-estar emocional, físico e social. Além de contribuir para a produção de hormônios ligados ao bem-estar, como a serotonina, estudos sugerem que uma boa nutrição oferece maior neuroproteção. Mas não é apenas o que comemos que importa, a forma que comemos também impacta a saúde mental. O que observo constantemente no IPq é como muitos transtornos afetam diretamente o comportamento alimentar, seja pela ansiedade, que pode aumentar o apetite, por quadros depressão que pode haver diminuição da fome, ou pelo TDAH, em que a impulsividade aumentada pode favorecer um maior consumo alimentar.

Por outro lado, a busca constante de uma alimentação considerada saudável e por corpos “perfeitos”, aos quais estamos expostos diariamente nas redes sociais, pode levar a dietas da moda, ao uso de medicamentos sem recomendação profissional e à restrição alimentar. Esses comportamentos favorecem o desenvolvimento de transtornos alimentares, como bulimia e anorexia nervosa. Por isso, compreender as emoções, desenvolver habilidades para o bem-estar no dia a dia, atentar-se aos ambientes estressores e respeitar os próprios limites são ações essenciais para uma boa saúde mental.

Agora, pensando que todo início de ano é marcado por novas metas, quero te convidar a estabelecer objetivos e pequenas ações no cotidiano que contribuam para a saúde mental. Pode ser iniciar uma leitura, buscar tempo de qualidade com a família, meditar ou experimentar um novo esporte.

Caso você já esteja em sofrimento psíquico, buscar ajuda é um ato de cuidado. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) podem ser o primeiro passo, nelas é possível solicitar encaminhamento para psicólogos ou psiquiatras. Outro importante centro de referência é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional. O atendimento está disponível 24 horas por dia, pelo telefone 188.

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