Corpo de Nutricionista

Capa Colunistas Pryscila Souza
Por – Pryscila Souza

No nosso último encontro, falei um pouco sobre o corpo de atleta, e sobre como estamos consumindo, cada vez mais, um padrão de corpo magro e definido que, muitas vezes, nem corresponde à realidade do esporte. Afinal, cada modalidade exige habilidades diferentes e, consequentemente, corpos distintos, que favoreçam a execução de determinados movimentos e desempenho esportivo.

Agora, pensando sobre essa relação que criamos com os corpos, eu quero te fazer uma pergunta: em algum momento você já julgou a qualidade do trabalho de alguém por causa da aparência?

Essa questão é muito presente na área da nutrição. Frequentemente, o corpo do nutricionista é visto como um cartão de visita, quase uma amostra do próprio trabalho. Mas, quando olhamos por essa ótica, acabamos desconsiderando toda a formação, conhecimento e trajetória daquela profissional. Além disso, reduzimos a algo superficial processos corporais complexos, que podem estar relacionados à desnutrição, obesidade, ganho ou perda de peso.

Pessoas com obesidade enfrentam preconceitos e julgamentos com frequência. Muitas vezes, o indivíduo é hostilizado e desvalorizado simplesmente pela forma do seu corpo. Na área da saúde, especialmente na nutrição, isso costuma ser ainda mais evidente. Surge então o pensamento: “Se a nutricionista não é magra, como ela pode me ajudar a emagrecer?

Essa visão reduz o trabalho do nutricionista apenas à perda de peso, como se a profissão se resumisse ao emagrecimento. Mas a nutrição vai muito além disso. Somos profissionais que estudam alimentos, comportamento alimentar, padrões de consumo, saúde física e mental. Quando pensamos dessa forma, ignoramos toda a complexidade envolvida na obesidade e no emagrecimento, que têm relação direta com fatores genéticos, ambientais, culturais, emocionais e sociais.

O mais curioso é que dificilmente aplicamos essa mesma lógica a outras profissões. Não esperamos que um cardiologista nunca tenha um infarto ou que um dentista jamais apresente problemas dentários. Então por que, na nutrição, ainda insistimos em acreditar que o corpo define a capacidade profissional?

Quer escolher uma profissional de excelência? O primeiro passo é verificar se ela está cadastrada no Conselho Regional de Nutrição. Depois, pesquise sobre o currículo, experiências e formações complementares, como especializações e pós-graduação, observando se fazem sentido com a questão que você deseja trabalhar. E, por fim, talvez o mais importante, é entender qual é a abordagem dessa profissional: se é focada no indivíduo como um todo ou apenas no problema.

O cuidado em saúde precisa ir além das questões físicas, e considerar as individualidades e história de cada pessoa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *